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Outubro rosa: você conhece essa história?

29 de outubro de 2020 | Por: Redatora E aí, rolou?

Com o intuito de voltar a atenção para a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama, surgiu a campanha que leva o nome de Outubro Rosa, a qual é realizada todos os anos no mês de outubro. Seu surgimento se deu em 1990, na cidade de Nova Iorque, nos Estados Unidos, pela fundação Susa G. Komen for the Cure. O primeiro marco da mobilização foi a realização da Corrida pela Cura. 

Além disso, vale destacar que a campanha recebe o nome de “Outubro Rosa” por conta da cor do laço que marca o símbolo internacional da luta e prevenção do câncer de mama. Por esse motivo, em outubro, a cor rosa é utilizada com intenção de representar a adesão ao movimento, o que ocorre desde 1990.

Desde então, a campanha tem o objetivo de disseminar dados preventivos à população e ressaltar a necessidade de cuidar da saúde como um todo, incluindo o direito de receber assistência médica para aspectos físicos e psicológicos, garantindo um tratamento de qualidade.

É importante ressaltar que, embora tenha surgido na América, a campanha não se restringe ao continente americano, dessa forma, diversos países se mobilizam neste mês. No Brasil, o início da campanha se deu em 2002, mas o movimento ganhou força mesmo a partir de 2010.

Principais objetivos do Outubro Rosa

O Outubro Rosa foi criado para termos um mês com maior atenção ao câncer de mama, com objetivo principal de alertar as mulheres em relação à importância da prevenção. Esse é um período focado em levar mais informações à população, conscientizando-a sobre a doença, sua forma de rastreio, o diagnóstico e o tratamento. Além disso, é um período para haver sensibilização com os pacientes em tratamento, procurando sempre disseminar conhecimento. 

A periodicidade do rastreio mamário, exceto em alguns casos, deve ser feita de forma anual. Com a campanha do Outubro Rosa, é possível notar que muitas mulheres fazem dessa mobilização um marco para se cuidar, escolhendo esse mês para ficar em dia com os exames, servindo como uma maneira de não esquecer e manter a frequência precisa.

Contudo, é necessário alertar que o cuidado com a saúde deve ser o ano inteiro, o Outubro Rosa é apenas uma maneira de alertar e lembrar que o câncer de mama existe, mas não precisamos esperar o mês de outubro para nos cuidarmos e procurarmos um especialista para nos orientarmos da melhor forma. 

Maior acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento

É cientificamente comprovado que o rastreio ideal com diagnóstico precoce das lesões diminui a mortalidade por câncer de mama. Infelizmente, a realidade do Brasil não assegura o acesso de todas as mulheres ao exame de mamografia. Alguns lugares têm dificuldade na disponibilidade do aparelho mamógrafo. 

Nesses casos, o autoconhecimento da mama pela própria mulher se torna fundamental e a forma de rastreio mais importante. No caso de perceber uma  alteração, é indicado que a mulher procure assistência médica e, mesmo que em estágio mais avançado da doença, esta deverá receber o tratamento adequado, garantido pela saúde pública.

Além disso, é importante levar às mulheres informações sobre como reduzir a chance de desenvolver o câncer de mama, listando os fatores de risco bem estabelecidos que podem ser modificados com hábitos de vida, por exemplo. 

A importância dos exames preventivos

A importância do rastreamento já foi comprovada por vários estudos por meio da diminuição da taxa de mortalidade por câncer de mama. Esse já seria um dado suficiente para convencer alguém a realizar exames de rotina, porém, ainda temos outros benefícios desse diagnóstico precoce que é conseguido por meio do rastreio.

A detecção de uma lesão impalpável (por meio dos exames de imagem) aumenta as chances desse câncer estar em estágio inicial. Dessa forma, maior é a possibilidade de os médicos oferecerem um tratamento menos agressivo com a mesma segurança oncológica. Nos últimos anos, para esses casos, tem diminuído a necessidade de quimioterapia e, com isso, o paciente não sofre as modificações que essa medida terapêutica pode acarretar para seu corpo.

Portanto, o melhor momento para diagnosticar uma lesão na mama é quando ela ainda não tem repercussão clínica, ou seja, não é palpável ao exame físico, sendo detectada apenas no exame de imagem. Para a maioria das mulheres, o rastreio deve ser feito com mamografia a cada dois anos e, em determinados casos, o mastologista pode complementar solicitando ultrassonografia mamária e ressonância magnética nuclear de mama.

Em relação às estratégias de prevenção do câncer de mama e detecção precoce da doença, podemos dizer que há um objetivo em comum: reduzir a mortalidade pela doença. Contudo, essas estratégias atuam por vias diferentes. A primeira requer que as pessoas adotem hábitos saudáveis e evitem a exposição a fatores ambientes de risco para reduzir as chances da doença se desenvolver. 

Já a segunda requer que as pessoas descubram a doença, caso presente, cada vez mais cedo, para que possam se tratar tendo em vista maiores chances de cura. O exame clínico e a mamografia são extremamente úteis para o diagnóstico precoce. Ambas as estratégias precisam estar alinhadas no combate ao câncer de mama.

Mamografia

A realização da mamografia varia de acordo com as diretrizes de saúde, porém, de forma geral, pacientes com idade entre 50 e 69 anos devem realizar esse exame a cada dois anos  A frequência da mamografia antes dessa idade depende do histórico familiar de câncer que a paciente possui. O objetivo principal desse exame é observar a saúde da mama, sendo capaz de diagnosticar o câncer em um estado mais inicial e, consequentemente, aumentar a chance de cura da paciente. Além disso, quanto antes a doença é diagnosticada, a chance de ser preciso realizar procedimentos como quimioterapia diminui.

Autoexame

Quando falamos de autoexame temos que alertar as mulheres que ele NÃO pode substituir a consulta médica para a realização do exame físico e para que as recomendações individuais quanto ao rastreio para detecção precoce sejam passadas pelo profissional. A importância do autoexame se dá pelo fato de a mulher conhecer e saber as características de suas mamas para, caso note qualquer alteração, já recorra a um especialista para esclarecer o achado. 

Conforme orientação do Instituto Nacional do Câncer (INCA), esse autoconhecimento deve ser realizado de forma casual, como durante o banho ou no momento de vestir a roupa, na hora em que a mulher achar oportuno para se examinar. A mensagem a ser deixada com o autoexame é para que as mulheres se familiarizem com suas mamas e mantenham o rastreio com exame de imagem. 

Sinais de alerta

O sintoma mais comum do câncer de mama é o aparecimento do nódulo (caroço), geralmente endurecido. No entanto, essa doença pode se manifestar de outras maneiras, como com o aparecimento de linfonodos palpáveis na axila. Além desse sinal de alerta, alguns aspectos merecem a atenção das mulheres. Confira quais são eles a seguir:

1. Nódulo (caroço) fixo e geralmente indolor;

2. Desvio ou inversão do mamilo;

3. Alteração na cor do mamilo;

4. Vermelhidão na mama ou no mamilo;

5. Secreção transparente, rosada ou avermelhada.

Caso você note a presença desses sinais, não deixe de procurar um médico, afinal, apenas um profissional especializado será capaz de avaliar seu quadro de maneira individualizada. Em alguns casos, os aspectos descritos acima podem estar relacionados à doenças benignas, no entanto, não hesite em procurar ajuda médica.

Fatores de risco para o câncer de mama:

  • Obesidade e sobrepeso após a menopausa;
  • Sedentarismo;
  • Uso prolongado de contraceptivos orais (estrogênio-progesterona);
  • Menarca precoce (primeira menstruação antes dos 12 anos);
  • Ausência de gravidez (o hormônio da gravidez protege contra o câncer. Então, a mulher que nunca engravidou será continuamente exposta ao hormônio natural feminino, o qual é um fator de risco);
  • Menopausa muito tardia (após os 55 anos, exposição ao hormônio natural feminino por muito tempo);
  • Reposição hormonal por algum motivo;
  • Consumo exacerbado de bebida alcoólica;
  • Algumas mutações genéticas;
  • Idade (acima dos 50 anos);
  • Histórico familiar (incidência de câncer de mama ou de ovário na família).

Informação e conscientização

O câncer de mama tem uma incidência altíssima entre as mulheres. Segundo estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para o ano de 2020, deve surgir cerca de 66.280 novos casos, entre esses, 17.572 mortes em mulheres. Normalmente, só nos preocupamos quando estamos com diagnóstico ou com alguém próximo passando pelo tratamento. Por isso, é muito importante ressaltar que a realização de exames de rastreio é fundamental, afinal, tem um impacto significante na mortalidade. 

Além disso, lesões diagnosticadas precocemente aumentam a chance de cura da doença e de cirurgias conservadoras. A população não deve deixar o medo do diagnóstico afastá-la da prevenção. No caso do câncer de mama, tanto a prevenção primária como a secundário influenciam no resultado final. 

A prevenção primária, com diminuição dos fatores de risco para a doença, acontece na maioria das vezes com mudanças no estilo de vida. Dessa forma, vale destacar que nunca é tarde para criar coragem e mudar, ainda mais quando a saúde está envolvida. 

A prevenção secundária ocorre com a realização de exames de rastreio. Por isso, não deixe de realizar seus exames e ter um médico para te orientar da melhor forma possível. 

Medidas preventivas

Além da realização de exames de maneira periódica, para prevenir o câncer de mama, há algumas recomendações e medidas que podemos seguir a fim de tentar evitar a incidência desta doença. Ações como ter uma dieta equilibrada, com consumo de frutas e verduras; praticar regularmente exercícios físicos; evitar o consumo bebidas alcoólicas; não fumar e evitar contato com a fumaça do cigarro; não usar hormônios de reposição para menopausa por mais de cinco anos e praticar o aleitamento materno são indicadas para prevenir o câncer de mama.

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Referências:

Instituto Nacional de Câncer (INCA)

Secretaria da Saúde

Ministério da Saúde

Uma análise da prevenção do câncer de mama no Brasil

Inumaru, Lívia Emi, Silveira, Érika Aparecida da, & Naves, Maria Margareth Veloso. (2011). Fatores de risco e de proteção para câncer de mama: uma revisão sistemática. Cadernos de Saúde Pública, 27(7), 1259-1270. 

Dra. Flávia Simas, graduada em medicina pela Universidade Estácio de Sá com especialização em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital Maternidade Fernando Magalhães e em Mastologia pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA).

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