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Vamos conversar sobre pH vaginal?

16 de julho de 2020 | Por: Redatora E aí, rolou?

É bem provável que você já tenha ouvido falar em pH vaginal em algum momento da sua vida. Mesmo que rapidamente em um comercial de sabonete íntimo. Mas, esse é mais um daqueles assuntos que pouco ou nada se conversa, seja com as amigas, com a mãe ou até mesmo com ginecologistas.

O que é uma pena, pois o pH da vagina é essencial para a boa manutenção da nossa flora vaginal e, até mesmo para cuidar da saúde do nosso corpo como um todo. Então, vamos aproveitar esse momento para falar sobre o assunto?

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O corpo humano, especialmente de nós mulheres, é realmente incrível. A nossa vagina possui mecanismos naturais para se proteger contra infecções e a capacidade de se auto-regular pra garantir um ambiente vaginal propício à manutenção da boa fertilidade. E isso está diretamente relacionado ao pH vaginal. 

Depois de dar essa explicação (de forma bem simples e rápida, prometemos!), vamos esclarecer algumas das principais dúvidas sobre os cuidados com a vagina. Vamos lá?!

O que é pH vaginal? 

O pH é uma sigla para o termo Potencial Hidrogeniônico, que mede o grau de acidez de um local ou solução. Os níveis variam conforme a mudança de temperatura, concentração de substâncias, ácido ou sal.

A escala de avaliação do pH vai de 0 e 14, sendo que:

  • 7 representa um valor neutro;
  • valores abaixo de 7 indicam um meio ácido, sendo que quanto menor o pH, mais ácido;
  • valores acima de 7 indicam um meio alcalino (básico) e quanto maior esse valor, mais básico é o meio.

No corpo humano, o pH desempenha diversas funções para manter o organismo funcionando adequadamente, inclusive em nossas áreas íntimas. 

Na vagina vivem algumas bactérias benéficas que ajudam a evitar infecções e são extremamente importantes para a nossa saúde. Elas produzem ácido láctico, que reduz o valor do pH, para criar uma barreira de proteção contra infecções e irritação, não permitindo que bactérias nocivas sobrevivam.

Então, uma vagina saudável é naturalmente ácida, com pH vaginal variando entre 3,8 e 4,5. Mas é normal que ocorra uma variação nesses valores, especialmente durante a ovulação.

Quais fatores podem provocar alterações no pH vaginal?

O pH da vagina pode sofrer alterações por causa de inúmeros fatores, como: 

uso de antibióticos. Mas o medicamento não elimina as bactérias nocivas? Sim, acontece que ele acaba eliminando também as que são saudáveis e que cuidam para manter nossa vagina ácida e, portanto, saudável;

relações sexuais pênis/vagina. Isso porque o esperma tem um pH alcalino que pode perturbar o ambiente ácido da vagina e estimular a proliferação de bactérias nocivas. Esse é mais um dos motivos para você usar camisinha em todas as relações sexuais. Não vai esquecer, ok?

duchas internas (devem ser evitadas a não ser que seja uma orientação da ginecologista);

muito suor na região da vagina e exposição a umidade;

higiene inadequada. Seja pela falta de uma boa higienização ou o excesso dela (Então lavar demais as partes íntimas não é bom? Não! Lavar demais também pode piorar o desequilíbrio da flora vaginal, principalmente quando é realizada com produto inadequado para a região.);

desequilíbrio hormonal;

roupas apertadas e sintéticas, que abafam a região da vulva, impedindo a ventilação (dê preferência para roupas mais largas e dê algodão );

irritação;

excesso de peso;

níveis de açúcar no sangue desequilibrados;

alterações no colo do útero;

redução dos níveis de estrogênio, provocado pela gravidez, amamentação e menopausa

Como o pH da vagina afeta minha saúde?

A gente costuma fazer uma comparação para ficar mais fácil de entender a importância do cuidado com a saúde íntima: o pH vaginal é o termômetro da saúde da vagina.

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Quando está ácido, tudo está normal e o corpo age naturalmente contra agentes infecciosos. Protegendo a saúde da vagina e mantendo o funcionamento do organismo de forma adequada.

Quando essa acidez é reduzida, o bioma vaginal saudável é perturbado e ocorre o descontrole da flora vaginal. Dessa forma, o ambiente da vagina fica desprotegido e, portanto, mais vulnerável aos ataques infecciosos de fungos e bactérias. E aí que surgem doenças como a candidíase e a vaginose. Além de outros problemas como corrimentos intensos, coceira e mau odor.

A melhor forma de manter o pH vaginal em equilíbrio é através dos cuidados com a área e sua higienização adequada. De preferência utilizando sabonete íntimo com pH ácido, formulado para não agredir a mucosa e a pele tão sensível da área vaginal.

Quais os sintomas de pH alterado?

Como dissemos lá no início, nosso corpo tem mecanismos próprios de defesa. E, quando alguma coisa sai do seu controle, ele emite sinais claros para que possamos identificar o que está errado e rever nossos hábitos. Quando o pH da vagina está em desequilíbrio esses são os sintomas que podem aparecer:

alterações no cheiro ou na intensidade do odor;

corrimento ou secreção mais intensas ou frequentes;

infeções recorrentes;

comichão ou ardor na zona da vulva e/ou vagina;

coceira ou ardor na região;

dor na relação sexual.

Então, ao identificar um ou mais deles, é recomendado procurar sua ou seu ginecologista para conversar sobre o assunto. Não tem nada para ter vergonha, desregulações de pH são perfeitamente normais! 

Para ter uma boa saúde é fundamental ter confiança no seu médico e se sentir à vontade para conversar sobre as dúvidas que te cercam. Portanto, busque seu ou sua ginecologista de confiança e crie o hábito que conversar com ele ou ela nas consultas, combinado?

O que acontece quando o pH está ácido?

Bom, na realidade, isso é uma boa coisa! A vagina é naturalmente ácida, com valores do pH entre 3.8 e 4.5, que oscilam durante o ciclo menstrual, por causa da ação dos hormônios. 

E é esse ambiente ácido que cria a barreira natural que reprime o crescimento de bactérias nocivas e protege contra irritações e infecções. Além de ser importante para manter a boa fertilidade.

O que acontece quando o pH está básico? 

Quando a flora vaginal está em desequilíbrio e o pH vaginal alcança níveis alcalinos, isso abre portas para o aparecimento de infeções, como a candidíase e vaginose bacteriana, coceira e corrimentos com mau odor.

O pH desequilibrado também pode ser prejudicial para a fertilidade. Então, a mulher que está tentando engravidar precisa ter ainda mais atenção aos cuidados com a vulva e a vagina, para manter os níveis adequados de pH.

O que causa mau cheiro nas partes íntimas?

Ah, essa é uma dúvida bem interessante. Então vamos lá: a vagina, por mais que esteja saudável, dificilmente deixará a calcinha sempre seca! É muito importante entender isso, pois muita gente acha que secreção que suja a calcinha é sinal de que algo está errado. E não é bem assim!

Secreções vaginais são uma reação fisiológica natural do corpo que acontece por causa da renovação de células cervicais e vaginais. Elas são de coloração clara ou esbranquiçada e vêm acompanhadas de um odor suave, algumas vezes pouco perceptível, mas que pode se tornar mais intenso dependendo da fase do ciclo menstrual.

Por isso, TODO MUNDO com vagina têm secreção e odor vaginal. E que não há nada de errado nisso. 

A não ser quando você percebe que esse odor está mais forte, associado a um desconforto na vulva (e a outros sintomas que já falamos lá em cima), acompanhado ou não de alteração na cor do corrimento.

Aí, nesse caso, o mau cheiro se torna mesmo um problema. E os sintomas podem indicar um desequilíbrio na flora vaginal, com a presença de processos infecciosos. Mas não precisa se preocupar! Quando isso acontece, o que você precisa fazer é procurar seu ou sua ginecologista para uma avaliação médica que vai indicar o melhor tratamento.

E, normalmente, eles são bem simples com rápida melhora! 

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Cuidar bem da região íntima e manter o pH vaginal ácido é fundamental para cuidar bem da sua saúde. Fazer consultas regulares ao ginecologista também é crucial, ok? Os exames de rotina são muito importante para identificar qualquer anomalia que possa prejudicar a sua saúde.

E, claro, vamos naturalizar o papo sobre a saúde da sua vagina! É normal ter dúvidas e não saber muito bem como ler os sinais que seu corpo está dando, especialmente depois de tanto tempo de tabu e meias informações!

Referências:

Linhares, Iara Moreno, Giraldo, Paulo Cesar, & Baracat, Edmund Chada. (2010). Novos conhecimentos sobre a flora bacteriana vaginal. Revista da Associação Médica Brasileira, 56(3), 370-374. https://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302010000300026

Guaschino S, Benvenuti C; SOPHY Study Group. SOPHY project: an observational study of vaginal pH, lifestyle and correct intimate hygiene in women of different ages and in different physiopathological conditions. Part II. Minerva Ginecol. 2008;60(5):353-362.

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