Pobreza menstrual: porque precisamos falar sobre isso

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O problema vai além da falta de absorventes. Pobreza menstrual afeta a saúde, a vida escolar e socialização

 

Imagine estar menstruada e não poder contar com um absorvente ou coletor menstrual. Parece surreal, não? Afinal, nada mais básico para a higiene feminina. Porém, para milhares de brasileiras, esses itens são um verdadeiro luxo. Essa parcela da população é vítima da pobreza menstrual.

 

Só que os impactos da pobreza menstrual duram muito mais que os cinco ou sete dias do ciclo. Mais do que pôr em risco a saúde de meninas, mulheres e homens trans que menstruam, a situação prejudica o desenvolvimento escolar e a socialização.

 

Segundo a pesquisa “Impacto da pobreza menstrual no Brasil”, encomendada por uma marca de absorventes e realizada pela consultoria Toluna, 29% das mulheres já deixaram de comprar itens de higiene menstrual por falta de dinheiro.

 

Assim, quase metade das entrevistadas, de 16 a 29 anos, contou que recorreu a métodos alternativos para conter o fluxo. O mais comum foi a substituição do absorvente por papel higiênico.

 

O que é pobreza menstrual?

 

A higiene menstrual é um direito humano garantido pela ONU desde 2014. Inclusive, existe uma data dedicada ao tema: o Dia Internacional da Dignidade Menstrual, comemorado em 28 de maio. Contudo, só recentemente a discussão sobre a pobreza menstrual ganhou força.

 

Esse atraso não é exatamente uma surpresa, especialmente considerando que a menstruação, assim como outros assuntos ligados à saúde feminina, ainda é tratado como tabu. Além disso, o assunto é cercado por desinformação, estigmas e preconceitos.

 

A pobreza menstrual é um problema complexo e tem diversas origens. Resumidamente, engloba três fatores: falta de recursos financeiros, de infraestrutura e de conhecimento sobre a menstruação.

 

Em outras palavras, as vítimas da pobreza menstrual não são apenas as que não têm acesso a absorventes. Quem não conta com medicamentos para problemas menstruais, por exemplo, também se enquadra nessa condição.

 

Do mesmo modo, não ter em casa um banheiro em boas condições de uso ou não receber orientações sobre a menstruação e os cuidados necessários são formas de privação da dignidade menstrual.

 

Por que a pobreza menstrual é um problema

 

O estudo “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”, feito pelo UNICEF, revelou dados muito preocupantes.

 

Nada menos que 713 mil meninas, mulheres e homens trans não têm um banheiro com chuveiro e sanitário em casa. Outras 632 mil brasileiras sequer têm acesso a um banheiro.

 

Em muitos casos, também não dá para contar com o apoio da escola. Mais de 1 milhão de alunas frequentam escolas cujos banheiros não têm papel higiênico ou sabão. E pior: no País, 3% das escolas nem têm banheiro.

 

Ou seja, assistir à aula nessas condições, menstruada, sem absorvente e sem banheiro para fazer a higiene íntima, torna-se impossível. Como se concentrar sentindo medo de que o sangue vaze, manche a roupa e cause uma situação constrangedora?

 

Por isso, de acordo com o relatório Livre para Menstruar, elaborado pelo movimento Girl Up, ligado à ONU, uma em cada quatro adolescentes no Brasil (ou seja, 25%) já faltou à aula por não ter como cuidar da higiene menstrual.

 

Saúde em risco

 

Mais do que impedir as meninas e mulheres de desempenhar suas atividades diárias, a pobreza menstrual causa danos à saúde.

 

Afinal, na tentativa de conter o sangramento, muitas usam panos velhos, papel higiênico, jornal e até miolo de pão.

 

Além disso, as que contam com uma quantidade limitada de absorventes acabam usando o mesmo por muitas horas ou mesmo dias.

 

Como resultado dessas condições precárias de higiene, podem surgir alergias, candidíase (infecção vaginal) e cistite (infecção na bexiga). A Síndrome do Choque Tóxico, uma infecção potencialmente fatal causada por bactérias, também é uma preocupação.

 

Para que essa triste situação mude é preciso que governos adotem políticas públicas de combate à pobreza menstrual. Distribuição gratuita de absorventes nos postos de saúde e melhoria dos serviços de saneamento básico são alguns caminhos.

 

Também é fundamental falar sobre a menstruação, derrubar mitos e levar informação de qualidade às meninas e mulheres.

 

Essa é a missão do E aí, rolou? Aqui, não tem tabu e nem complicação. Trocamos figurinhas sobre sexualidade e outros assuntos para que você se conheça mais e tome as melhores decisões sobre o seu corpo!

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