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Relacionamentos e sentimentos

Primeiro beijo: um guia honesto

18 de novembro de 2020 | Por: Redatora E aí, rolou?

Por que sentimos nervosismo ou excitação antes de acontecer o primeiro beijo? Bom, isso se deve a diversos fatores sociais, emocionais e próprios do momento do início da adolescência. 

A experiência do primeiro beijo é uma marca no desenvolvimento. Assim, é comum que o primeiro beijo seja algo esperado com ansiedade e desejado, pois é uma ponte à vida “adulta” das experiências afetivo-sexuais.

No texto de hoje, vamos discutir um pouco sobre porque beijamos, o que acontece quando beijamos e dar algumas dicas para o primeiro beijo! Confere aí com a gente

Os anseios envolvendo o primeiro beijo

Com o passar do nosso desenvolvimento, o desejo de viver essas experiências afetivo-sexuais aparece junto dos anseios para o primeiro beijo, que é o grande acontecimento com a chegada da adolescência ou pré-adolescência. Com isso, são grandes as expectativas, o nervosismo e a excitação para essa experiência.

Não há uma regra de como esse momento acontecerá, nem temos o controle dos sentimentos presentes. Porém, compreender o primeiro beijo como algo natural no percurso do desenvolvimento e diminuir as cobranças e idealizações de um momento e um beijo perfeito são alguns aspectos relevantes para que a gente possa curtir a experiência e não torná-la um problema ou um fardo.

Ainda assim, diante de situações novas e desconhecidas, é natural sentir emoções intensas e comportamentos respondentes, tais como sudorese, aceleração nos batimentos cardíacos, “pernas bambas”, excitação, medo, etc. Isso porque a ansiedade se instala, os pensamentos se focam no ato que está por vir e é difícil relaxar, pois a ansiedade do desempenho pessoal e da outra pessoa ganha destaque nos momentos antecedentes. 

Pensando nessas emoções afloradas, a dica é deixar o momento o mais natural possível e se perceber. Observar quais emoções e sentimentos estão presentes e, depois, falar sobre eles é uma forma de relaxar, pois dá abertura para o outro também falar sobre si e  também de se permitir confessar o nervosismo, o que pode ser motivo de total descontração e melhor conhecimento mútuo. 

Além disso, se informar, conversar com amigos que já passaram pela primeira experiência e ouvir como foi pode ser algo que ajude no sentido de obter modelos adequados para se sentir mais tranquila. 

Áreas corporais envolvidas no beijo 

O beijo acontece no encontro de dois lábios, porém, até esse encontro acontecer, muitas áreas se comunicam, pois as informações são enviadas para o cérebro que as devolve em forma de emoções. 

O mesmo ocorre durante o beijo em si. Além dos lábios, os músculos faciais e os órgãos dos sentidos estão sendo estimulados e trabalhados, sem contar que o beijo nunca está só, mas sempre acompanhado de um toque, um abraço, carícias, o que provoca estimulações sensoriais táteis no corpo todo. 

Aspectos como o cheiro do outro, a voz e o gosto do beijo trazem estimulações olfativas, auditivas e gustativas, tudo junto e misturado. É importante ressaltar também que os lábios têm inúmeras terminações nervosas que enviam informações ao cérebro, estimulando a liberação de hormônios e substâncias que geram sensações de bem-estar, relaxamento e prazer, podendo, inclusive, estimular a excitação. Dessa forma, podemos dizer que o corpo todo interage durante o beijo.

Como lidar com a pressão social? 

A cobrança social acaba acontecendo dos pares que estão passando pelo mesmo momento, dos amigos e dos colegas na escola, por exemplo. Podemos acabar transformando o primeiro beijo e até mesmo a iniciação sexual em uma disputa, uma corrida. Assim, surge a pressão e o sentimento de inferioridade aos que ainda não encerraram a corrida. 

Nesse aspecto, é importante perceber que somos seres único, com desejos, fantasias, medos, sentimentos muito individuais e que devem ser respeitados. Cada pessoa tem uma história e um tempo próprio para se sentir preparada e desejar passar pela experiência, seja ela qual for, incluindo as questões diretamente relacionadas ao desenvolvimento emocional, como o primeiro beijo. 

Conscientizar-se desse tempo individual e se distanciar das cobranças externas é perceber que ninguém além de si mesma pode saber qual o melhor momento para que algo aconteça. 

A importância do autoconhecimento 

É bastante importante saber que, por mais que esteja inserido em um grupo e queira o reconhecimento dos demais, suas próprias decisões devem estar atreladas ao próprio desejo. Ceder à pressão do outro pode ser um aspecto abusivo com si mesmo.

O momento certo para o primeiro beijo será percebido quando acontecer. Sem idealizações, esse momento é uma oportunidade para viver uma experiência de intimidade com outra pessoa que desperte esse desejo e também deseje. Cuidar desse aspecto de escolha e desejo mútuo é importante para que não seja abusivo, violento ou traumático, mas que cumpra com a finalidade de iniciar a relação afetivo-sexual com outra pessoa.

O primeiro beijo é um momento íntimo e importante que deve ser vivido com o afeto, respeito e o cuidado que merece entre a pessoa com ela mesma e com o outro. É como se fosse um rito de passagem em que a criança/pré-adolescente passa a ser realmente adolescente. 

Então, diante da necessidade de enfrentamento de qualquer desafio ou fase da vida, o autoconhecimento é uma peça fundamental. Por meio dele, sabemos qual nosso padrão comportamental, como reagimos diante de diferentes situações e em quais delas fomos bem ou mal sucedidos, justamente devido ao nosso padrão de comportamento. 

O autoconhecimento vai ajudar a responder questões do tipo: “Estou preparado(a)?” “Quero passar por isso agora?” “Estou fazendo isso somente porque todos meus amigos já fizeram e eu não?” “Estou muito novo(a) para isso?”, entre outras tantas que vão ajudar a sentir segurança quanto a esse momento de transição. 

Como dito anteriormente, se autoconhecer vai ajudar, por exemplo, na questão de saber se o parceiro(a) já beijou, se esse fato vai trazer mais insegurança, pois vai se achar diminuído diante da experiência do outro ou utilizá-la a seu favor, trazendo maior segurança, afinal, o outro pode ajudar a relaxar na hora justamente por já ter vivenciado a mesma situação. 

Além disso, cuidados como lembrar que por meio da saliva muitas bactérias e vírus, por exemplo, da herpes e gripe, podem ser compartilhados é importante para se atentar à saúde e higiene de maneira geral, mas especialmente a bucal.

Dicas de como se preparar para esse momento 

Muitas pessoas se perguntam como aprender a beijar bem e como perder o bv (boca virgem). No entanto, não há uma fórmula exata para esse momento. Uma dica prática seria realizar esse treino de autoconhecimento emocional e corporal. Conhecer os próprios sentimentos atrelados ao desejo de se relacionar com outra pessoa e também conhecer o próprio corpo, a própria boca, o próprio toque, para poder, na medida do possível, aproveitar essa experiência que começa com si mesmo e se estende para a relação com o outro. 

Se relacionar com outra pessoa em nível afetivo-sexual é um aspecto importante na vida de todo ser humano, afinal, somos seres que nascemos e morremos atrelados aos vínculos com outros seres humanos. 

E esses vínculos são diversos e complementares; partem da relação familiar, passando pelas relações de amizade e chegam às relações afetivo-sexuais, ou seja, uma relação que além da amizade, do carinho, do amor e do companheirismo, estão envolvidos aspectos sexuais como o sexo propriamente dito, mas também toques eróticos e o próprio beijo erótico, boca na boca.

Ter em mente essa diferenciação e o significado dessa experiência é um aspecto de preparo e proteção. Assim, é rico poder perceber que essa experiência requer uma reflexão da pessoa com ela mesma acerca de suas motivações e de seu desejo pelo primeiro beijo, ao mesmo tempo em que implica no cuidado com o outro em sua humanidade. 

A partir do envolvimento íntimo, afetuoso e sexual de um beijo boca-boca, um novo campo se abre com a oportunidade da experiência afetivo-sexual e a conscientização ética e humana para a relação com si mesmo e de troca vincular com o outro. 

A seguir, confira algumas dicas de como se preparar para o primeiro beijo: 

  • Encare o momento como algo natural, mas que, como qualquer situação nova e desconhecida, gera sentimentos e emoções; 
  • Identifique esses sentimentos e busque lidar com eles da forma que lidou em outras situações. Por exemplo, como lidou com a ansiedade durante uma prova muito difícil e importante? Ou ainda, como lidou com a ansiedade diante de um teste no futebol ou na apresentação de dança? Utilizou algum exercício para relaxamento?;
  • Busque informações, leia sobre o assunto;
  • Converse com amigos de confiança que já passaram pela experiência, falar sobre seus medos e outros sentimentos pode ajudar no sentido de eles darem modelos de como agiram quando passaram por essa fase;
  • Esqueça manuais! Beijar não é uma receita de bolo, depende do momento, da entrega, do quanto se está relaxado e, também, do outro. O beijo acontece entre duas pessoas, então, o sucesso dele ou não dependerá dos dois, da “química” entre eles, independente da experiência dos pares, pois sempre será o primeiro beijo com cada parceiro(a) diferente. É necessário se informar, mas filtrar o que se encontra, principalmente na internet. 

E aí, gostou do conteúdo? Indique para alguém que está passando por esse momento!

Se você já teve o seu primeiro beijo, conta aí pra gente nos comentários como foi! E não deixe de nos seguir nas redes sociais: 

Referências

Josemeire dos Santos Henrique, graduada em psicologia pela PUC-Campinas com especialização em psicoterapia Comportamental pelo ITCR Campinas;

João Paulo Zerbinati, graduado em psicologia pela PUC-Campinas com ênfase em clínica psicanalítica e mestre em educação sexual pela Unesp-Araraquara.

A história do beijo 

BBC News

Promoting the Health of Adolescents: New Directions for the Twenty-first Century

Why Do We Kiss?

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Por: Redatora E aí, rolou?


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