Relacionamentos e sentimentos

O que é um relacionamento abusivo?

9 de novembro de 2020 | Por: Redatora E aí, rolou?

Uma relação amorosa pode fazer você se sentir amada, acolhida e de bem com você mesma, mas existe também o outro lado da moeda. Você sabe o que é um relacionamento abusivo?

Geralmente, as mulheres são as principais vítimas desse tipo de relação, que é capaz de te deixar com baixa autoestima e fazer você se sentir presa a uma pessoa que não te faz bem. Por isso, é fundamental estar atenta aos sinais de um relacionamento abusivo e saber como sair dele.

Neste artigo, vamos explicar melhor sobre isso e falar o que caracteriza uma relação abusiva, assim como formas de pedir ajuda e denunciar o abusador. Continue a leitura!

O que é um relacionamento abusivo?

Quando as pessoas querem saber o que é um relacionamento abusivo, muitas delas imaginam agressões físicas logo no começo da relação, mas nem sempre isso acontece. Aliás, pode ser que existam apenas abusos psicológicos e não físicos.

Na verdade, existem diversos tipos de abusos, como o patrimonial, sexual e moral. Tudo isso é consequência do relacionamento abusivo.

É importante destacar que isso pode acontecer com qualquer pessoa, ou seja, homens e mulheres, ainda que elas sejam as principais vítimas. Mais de 80% desses relacionamentos têm a mulher como a vítima e o homem como o agressor.

Não importa se a pessoa é introvertida ou extrovertida, instruída ou não. Existe esse estereótipo de que a vítima é submissa, ignorante e vulnerável, mas isso não se comprova na realidade.

A seguir, para que você entenda o que é um relacionamento abusivo, vamos mostrar as principais fases desse tipo de relação, lembrando que elas podem acontecer nesta ordem ou não.

Fase 1

Durante essa fase, o que acontece é a manipulação, controle e violência psicológica sobre a vítima. Por estar com o psicológico abalado, é possível que ela não consiga perceber o abuso, que pode se mostrar também por meio de xingamentos, ofensas e ciúmes.

Fase 2

Geralmente, as agressões psicológicas evoluem para as físicas, então podem acontecer beliscões, tapas e empurrões. Por deixar marcas visíveis, grande parte das mulheres pensam em fazer denúncias e/ou acabar com o relacionamento.

Fase 3

Conhecida como lua de mel, essa fase é marcada pelo suposto arrependimento do agressor. Ele promete que vai mudar e manipula a vítima para que ela acredite que o agressor apenas perdeu a cabeça e que nada disso vai acontecer novamente.

Por isso, é comum que as mulheres perdoem o abuso e, tempos depois, o relacionamento abusivo volte para a fase 1. Quanto mais esse ciclo se repetir, mais difícil é sair da relação.

Como dissemos anteriormente, existem relacionamentos abusivos que não são marcados por agressões físicas. Então, o ciclo de abusos transita entre a fase 1 e a fase 3.

Quais são os sinais de um relacionamento abusivo?

Há vários sinais que mostram a existência de um relacionamento abusivo. Por isso, é fundamental ficar atenta a cada detalhe, caso você ou alguma conhecida esteja passando por isso. Veja só alguns deles a seguir.

Superproteção e ciúme

Ainda que muitas pessoas acreditem que o ciúme é sinal de amor, é importante que essa ideia seja desconstruída. Na verdade, o excesso de ciúme indica que a pessoa está tentando te controlar e manipular

Ele pode fazer você se afastar dos seus amigos e da sua família e até impedir que você trabalhe para que não tenha independência financeira. 

A princípio, a pessoa pode ser sentir protegida, porque essas atitudes costumam vir com frases de afeto (“eu te amo tanto que vou te dar tudo que precisar”), mas, logo depois, vai poder ver como esses atos servem para te diminuir.

Com isso, a vítima passa a se sentir incapaz e impotente, necessitando sempre do cuidador, que é o agressor. Ou seja, ela perde a autonomia sobre a própria vida.

É necessário tentar identificar se o seu parceiro está respeitando as suas decisões e opiniões ou se está tentando fazer você se afastar de si mesma.

Então, para evitar brigas, a vítima passa a se anular e corre o risco de perder a própria rede de apoio que seria fundamental para que ela saísse do relacionamento.

Gaslighting

Esse termo em inglês significa que o homem tenta fazer com que a mulher sinta que perdeu o senso crítico e, assim, desacredite da própria percepção. Por exemplo, o parceiro tenta ofendê-la, dizendo que ela está gorda e precisa emagrecer.

Então, a vítima se sente mal e o agressor diz que tudo não passa de uma brincadeira. Se isso acontecer de forma frequente, a mulher começa a se sentir fragilizada e com a autoestima cada vez mais baixa, o que pode afastá-la das pessoas que gosta.

Sugestões de mudanças

O agressor não aceita a vítima como ela é e tenta mudá-la a todo custo. No tópico acima demos um exemplo disso.

Nesse caso, ele não oferece críticas construtivas, mas sugestões de mudanças para que a mulher fique do jeito que ele quer. Ou seja, dá opinião sobre o cabelo, as roupas, o peso e até sobre a personalidade da vítima. 

É possível que a vítima comece acatando uma sugestão e, quando percebe, está fazendo tudo que o agressor deseja. Assim, ela se diminui cada vez mais para caber no ideal que ele criou.

Violência psicológica

A violência psicológica pode vir ou não acompanhada de xingamentos. Ao mesmo tempo em que o agressor é capaz de oferecer elogios à vítima, ele também faz comentários em formas de críticas depreciativas que minam a confiança dela. Veja alguns exemplos:

  • regula os seus hábitos e as suas interações em redes sociais;
  • comenta que as suas conquistas não são nada demais;
  • diz que os seus gostos e opiniões são ridículos (ou algo do tipo);
  • chama você de louca quando é contrariado;
  • grita;
  • diz que as reações agressivas dele são culpa sua;
  • comenta que o seu familiar ou amigo não presta;
  • deixa você constantemente insegura.

Abuso sexual

Por estar em um relacionamento, isso não significa que você deva ficar disponível sempre que o seu parceiro quiser transar. No entanto, no relacionamento abusivo, o agressor pode forçar o seu desejo e partir para o abuso sexual.

Mas esse abuso pode ser discreto. Por exemplo, você não quer, mas ele insiste tanto que você decide ceder. No entanto, não sente nenhum prazer – muito pelo contrário, já que pode até se sentir bem mal. E relação sexual que não é consentida tem um nome: estupro. 

Relacionamento abusivo: o que fazer?

Depois de saber o que é um relacionamento abusivo, você desconfia que está inserida nele? Nesse caso, é fundamental saber como sair dele.

Muitas mulheres reconhecem o relacionamento abusivo apenas quando ele chega na fase mais visível, que é a violência física. Inclusive, durante a pandemia do Covid-19, a violência contra a mulher cresceu 40%. É um dado alarmante e mostra como a agressão física é algo comum nas relações abusivas.

Para sair dessa, você precisa abraçar a sua rede de apoio. É ela quem vai te dar toda a ajuda que precisa para se livrar desse relacionamento tóxico. Isso significa, portanto, contar para alguém de confiança o que vem acontecendo com você.

Não sinta medo ou vergonha durante o processo. Para isso, é importante que você converse com alguém que sabe que não irá te julgar, mas te acolher. Já se você acredita que uma amiga está passando por isso, mantenha-se disponível para ouvi-la e dar conselhos para que ela consiga sair da relação.

Com o objetivo de recuperar a autoestima e o amor próprio, assim como reconhecer que você não precisa dessa pessoa e nem desse relacionamento, o acompanhamento profissional se torna fundamental. 

Se você tiver dependência financeira com o agressor, fazer isso pode ser mais difícil, então peça ajuda de algum amigo ou familiar para investir na sua saúde mental. Afinal, um relacionamento abusivo causa traumas e marcas bem difíceis de serem superadas caso você não tenha ajuda profissional.

Dessa forma, o primeiro passo para sair de um relacionamento abusivo é reconhecer que está nele. Não tente justificar as atitudes do agressor. Em seguida, conte com a sua rede de apoio e peça ajuda para fazer um tratamento psicológico, como a psicoterapia. Isso vai te ajudar bastante.

Como denunciar a violência contra a mulher?

Para reduzir os índices de violência contra a mulher, é muito importante que a vítima se sinta protegida e acolhida após o ocorrido. Para isso, é necessário fazer a denúncia.

Nesse caso, existe a Central de Atendimento à Mulher, então você pode ligar para o número 180 e fazer uma denúncia anônima. Esse serviço oferece ligação gratuita e disponível 24h, possibilitando que a vítima tenha um acolhimento qualificado. Outra opção é ir para a Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher.

A Central de Atendimento à Mulher é voltada para casos em que a violência já aconteceu. No entanto, se estiver acontecendo naquele exato momento, o recomendado é ligar para a polícia pelo número 190.

De acordo com a reportagem da BBC, 70% das mulheres que morreram por violência doméstica foram vítimas fatais durante o término. Isso porque o agressor físico vê que não vai conseguir mais o que quer, então decide partir para a ação mais grave de todas.

Por isso, nesses casos, é importante não fazer um término presencial e não ter contato com o agressor a partir desse momento. Para as mulheres que têm filhos com os abusadores, o recomendado é ter o mínimo de contato possível. 

Dessa forma, entender o que é um relacionamento abusivo é uma etapa fundamental para conseguir sair desse tipo de relação. Portanto, repare nos sinais e, caso desconfie que está sendo abusada de alguma forma, busque ajuda por meio de familiares e amigos. Em seguida, conte com um profissional especializado e se livre dessa dependência com o agressor.

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Por: Redatora E aí, rolou?


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