Sexo e sexualidade

Afinal, tamanho é documento?

20 de outubro de 2020 | Por: Redatora E aí, rolou?

Circulam por aí algumas crenças e tabus que podem atrapalhar bastante o momento de prazer. Preocupações com a própria anatomia não são raras e há uma pergunta que surge com frequência, tanto no universo feminino quanto no masculino: tamanho é documento?

Para homens e mulheres, esse costuma ser um assunto polêmico. No primeiro caso, acredita-se que pênis grandes e grossos dão mais prazer. Já no segundo, vaginas estreitas satisfazem mais. Será que tudo isso realmente é verdade?

Neste artigo, vamos explicar a anatomia masculina e feminina, por que existem essas crenças e responder à pergunta do título. Continue a leitura para saber mais!

Como  a anatomia interfere nas sensações?

A sensibilidade da região genital depende da quantidade de terminações nervosas nas diferentes regiões. A área com maior inervação na mulher é a glande do clitóris, com cerca de 8 mil terminações nervosas em uma área de menos de 1cm². No homem, essa inervação está distribuída na glande do pênis, que tem uma área bem maior.

A pele de todo o corpo possui a capacidade de sentir prazer, com algumas áreas sendo mais sensíveis que as outras. Estas áreas podem variar muito de uma pessoa para outra. Além do clitóris, a vagina apresenta sua sensibilidade aumentada especialmente no terço inferior (próximo da entrada da vagina). O restante da vagina tem poucas terminações nervosas, o que significa que não é necessário um penis muito longo para fazer uma estimulação satisfatória.

Tamanho do pênis e da vagina

Será que tamanho é documento? Sendo verdade ou não, a insatisfação com o tamanho do pênis é algo relativamente comum entre os homens. Muitos inclusive marcam consultas com o médico, a fim de investigar esse suposto problema, e lá descobrem que o pênis está em um tamanho considerado normal.

Existem até os termos Síndrome do Pênis Pequeno ou Ansiedade do Pênis Pequeno, referentes a quando o homem tem um pênis de tamanho normal, mas se vê em uma imagem distorcida. O tamanho do pênis pode variar muito de uma pessoa para outra. As queixas em relação ao tamanho muitas vezes são relacionadas a expectativas irreais sobre a masculinidade. Em relação à mulher, a crença é de que as vaginas “apertadas” dão mais prazer aos homens. Algumas pessoas até acreditam que, quanto mais a mulher transar, mais larga ficará a vagina. Isso é mito. A relação sexual não causa nenhuma alteração anatômica na vagina.  

O canal vaginal é elástico, então ele pode se expandir, seja na hora do parto de um bebê, seja na penetração do pênis. 

Vale lembrar que a vagina da mulher adulta tem em média 7 a 12 cm, sendo um pouco curva. Ela também muda durante o ciclo menstrual, tornando-se mais espessa na metade do ciclo, por exemplo. Porém, o que dá a tensão na vagina é a musculatura do assoalho pélvico. A ideia de “apertada” ou “frouxa” está mais ligada a estes músculos do que ao comprimento da vagina. 

Como as crenças sociais e práticas culturais influenciam no sexo?

Somos criados em uma sociedade que insiste em moldar como devemos ser e o que devemos representar. Nesse caso, desde cedo, aprendemos que a mulher é considerada bonita se tiver uma configuração específica de corpo, padrões como textura dos cabelos, quantidade e localização de gordura, entre outros. Quanto mais você se afasta dessas características, mais longe você está do padrão socialmente aceito.

Isso também acontece com os homens, ou seja, eles também são julgados por padrões sociais, como por exemplo,  ser altos e fortes. Além das características físicas, padrões de comportamento e atitudes também sofrem a influência das regras sociais. 

E onde aprendemos isso? As regras sobre os papéis de gênero estão presentes na nossa vida desde a hora que nascemos. Quando se trata da atividade sexual, o tabu fala mais alto e as informações são mais escassas. Na falta de uma discussão mais franca sobre sexo, as pessoas buscam aprender com as fontes disponíveis, como por exemplo a pornografia. Por meio dela, homens e mulheres aprendem um modelo de performar o sexo, uma forma de estabelecer algum padrão para entender o que é considerado desejado e o que não é.

No entanto, isso pode ser bastante nocivo para a autoestima. Afinal, as atrizes e atores exibem corpos com formatos padronizados para o padrão da indústria, que passam longe do corpo da maioria das pessoas. As atitudes e o “roteiro” da transa também são padronizados na pornografia.

Além de prejudicar a autoestima, isso também dificulta o prazer nesse momento. Afinal, o que os atores e atrizes pornôs fazem nem sempre é o que as pessoas com quem você vai transar gostam. Portanto, a pornografia não representa a realidade.

Consumir esse tipo de produto faz com que tenhamos uma ideia distorcida sobre os nossos corpos, sobre como o sexo deve ser e como o prazer é alcançado. Assim, em vez de tentar descobrir, pela experiência, o que gostamos ou não, moldamos o nosso gosto com base no que a pornografia transmite, acreditando que o que se passa ali é o certo.

Tamanho é documento?

Antes de falarmos se tamanho é documento, é importante explicar sobre as fases da resposta sexual. A primeira delas é o desejo, ou seja, a vontade de buscar ou se envolver em uma atividade sexual. Com estímulos adequados, o corpo responde com a fase de excitação, que pode durar de minutos a horas, em que os envolvidos estão física e psicologicamente envolvidos no ato, causando a lubrificação vaginal e a ereção do pênis. Em seguida, acontece o platô, que é o estágio de excitação contínua. Por fim, temos o orgasmo, que é o ápice do prazer de uma relação sexual. Por último, vem a fase de resolução, que é a volta do organismo ao estado de repouso.

Se você prestou atenção, em nenhuma dessas fases nós falamos que é necessária a penetração vaginal, ou seja, é possível ter todas as fases da resposta sexual até mesmo sem estimulação genital. Concentrar toda a atenção do sexo para o momento da penetração pode significar a perda de todo um universo de sensações possíveis nas preliminares ou em outros momentos de intimidade. 

Então, você acredita que o tamanho do pênis e da vagina é o único fator envolvido na hora do prazer? Uma pesquisa com mulheres sexualmente ativas resultou em 20% delas consideraram o tamanho do pênis um fator importante e 55% um fator não importante. Além disso, 22% delas consideraram-se completamente indiferentes em relação ao tamanho do pênis e apenas 0,6% atribuiu ao tamanho extrema importância.

Ou seja, a opinião vai variar de acordo com cada pessoa, mas é importante lembrar que existem outras questões envolvidas no momento do sexo, como o seu nível de excitação e a habilidade do seu parceiro em te satisfazer. 

Portanto, é necessário que você se conheça bem para indicar a ele o que gosta e o que não gosta. Com isso, o sexo pode ser prazeroso para ambos. Lembre-se que existem outras áreas a serem exploradas durante esse momento, porque a relação heterossexual não é composta apenas por vagina e pênis. 

Nesse sentido, o tamanho pode influenciar o prazer do outro na hora do sexo, mas isso depende da pessoa. Algumas se importam com isso, outras não. 

Segundo o estudo, 33% das mulheres estão mais propícias a ter orgasmos vaginais caso o pênis seja maior que a média, porque, assim, ele consegue estimular uma área maior e aumentar as chances de ter um orgasmo. Esse estímulo também acontece visualmente, facilitando que aconteça o clímax.

Logo, tamanho é documento? A resposta é: depende. Para algumas mulheres, o tamanho e a grossura do pênis influenciam diretamente no orgasmo vaginal. Para outras, não. Mas isso não deve ser motivo para criar preocupações desnecessárias, afinal, o corpo tem diferentes áreas de prazer, como já dissemos, e explorá-las é um ótimo caminho para chegar ao clímax.

E aí, gostou desse conteúdo? O que você pensa sobre o assunto? Conta pra gente como foi nos comentários! E não deixe de nos seguir nas redes sociais:

Referências: 

BORGHERESI, A. et al. Tamanho do pênis e satisfação sexual feminina. Diagnóstico e Tratamento, Volume 18, Edição 3, Jul/Ago/Set 2013.

MARQUES, Florence Zanchetta Coelho, et al. Resposta sexual humana. Rev. Ciênc. Méd., Campinas, 17(3-6):175-183, maio/dez., 2008.

REIS, Margareth de Mello Ferreira, et al. Percepções sobre o tamanho do pênis em homens brasileiros supostamente saudáveis de 40 a 60 anos: um estudo piloto transversal. Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), São Paulo, Brazil

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Por: Redatora E aí, rolou?


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