Métodos contraceptivos

Alergia à camisinha existe? Como lidar com isso?

7 de julho de 2020 | Por: Redatora E aí, rolou?

A camisinha é nossa principal aliada na prevenção da gravidez e das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Por isso, o seu uso durante o sexo é indispensável. Por outro lado, muita gente alega se incomodar com esse item, inclusive acreditando que têm alergia à camisinha.

Mas será que isso realmente existe ou é só uma desculpa para não usá-la? E se existir, qual é a solução para esse problema? 

Vem com a gente que vamos te explicar tudinho

Alergia à camisinha: o que é isso? 

Sim, alergia à camisinha existe! Ela acontece por causa de uma reação do corpo com algum dos componentes desse item, como o látex ou substâncias dos lubrificantes (espermicidas, que matam os espermatozoides, ou componentes que servem para dar cheiro, gosto e cor).

Mas essa alergia é bem rara e muitas pessoas podem confundir os sintomas com uma irritação. A estimativa é de que apenas 1% da população tenha alergia ao látex. Então, o que algumas pessoas consideram ser alergia pode ser apenas uma sensibilidade maior a essa substância.

Mas, em casos de alergia, podem surgir sintomas graves (como falta de ar), então é fundamental estar atenta às reações do seu corpo durante o uso do preservativo.

Como reconhecer sintomas da alergia à camisinha? 

No caso do látex, a alergia à camisinha é mais fácil de perceber nas mulheres, porque a mucosa facilita que as proteínas do látex entrem no corpo. Geralmente, as reações são imediatas, mas podem aparecer entre 12 a 36 horas depois do contato com essa substância ou com os outros componentes da camisinha.

Nessa hora, podem surgir vários sintomas, como:

inchaço e coceira na região da vulva;

descamação da pele na região da virilha;

dor no momento da relação sexual;

tosse;

falta de ar;

espirros;

olhos lacrimejando;

sensação de garganta arranhando ou fechando

Cada mulher manifesta as reações de uma forma diferente, mas, se você reconhecer frequentemente alguns desses sintomas, é importante ficar atenta à possibilidade de ser alérgica à camisinha. 

Viu como os sinais de uma alergia são bem diferentes de uma simples irritação?

O que fazer se tenho alergia à camisinha?

Caso você tenha se identificado com os sintomas, é necessário procurar ajuda médica, de preferência com um ou uma ginecologista, porque este profissional vai ser capaz de identificar a presença ou não de uma alergia.

Para confirmar o diagnóstico, o profissional examina a reação alérgica na pele e solicita exames para descobrir qual componente está causando a alergia. 

Os mais comuns são o exame de sangue, com o objetivo de medir as proteínas que surgem no corpo por causa da presença do látex, o patch test, em que a paciente tem contato com o látex, e o prick test, no qual o médico coloca a sua pele em contato com outros componentes da camisinha para verificar alguma reação alérgica.

Depois de tudo isso, se confirmada a alergia, o próximo passo é saber como se cuidar nas relações sexuais sem sofrer com reações alérgicas. Lembre-se que abandonar a camisinha não é uma opção, ok?

Já no caso do diagnóstico confirmado, chegou a hora de começar a usar as camisinhas sem látex. Nesse caso, você tem as seguintes opções:

camisinha de poliisopropeno: esse material parece com uma borracha sintética, é bem fino e, por isso, fornece mais sensibilidade;

camisinha de poliuretano: esse tipo é semelhante a um plástico fino e é duas vezes mais forte que o látex.

É importante destacar que aquelas camisinhas super modernas e diferentes, que brilham no escuro, têm sabor e cheiro, esquentam e esfriam não são recomendadas por terem muitos químicos, o que favorece o surgimento de alergias e irritações. Então, mesmo se você não for diagnosticada com alergia, talvez valha a pena evitar.

Outra opção é utilizar a camisinha feminina, que geralmente não tem o látex na sua composição.

Fazer uso desses preservativos com materiais diferentes não garante que o seu corpo não terá reações alérgicas, mas as chances disso acontecer são bem menores. 

Vale lembrar, ainda, que essas camisinhas são bem seguras, mas o preço delas costuma ser mais alto que os preservativos de látex, variando entre R$10 a R$30. 

Caso a sua alergia seja a outros componentes da camisinha e não ao látex, é necessário usar camisinhas com lubrificante à base de água e sem corantes. 

Então, a melhor dica é ir testando diferentes materiais, modelos e marcas até encontrar o preservativo que te deixe mais confortável na hora da relação sexual. E sempre prestar aquela atenção especial ao que o seu corpo está te dizendo! 

Um menino me falou que não pode usar camisinha durante a transa por ter alergia. O que devo fazer?

Como você viu neste texto, a alergia à camisinha é bem rara, então é provável que ele tenha apenas irritação. Além disso, não se esqueça que os sintomas surgem mais nas mulheres.

Mas vamos supor que ele tenha mesmo alergia. Nesse caso, uma opção é usar os preservativos com materiais como poliisopropeno ou poliuretano, como falamos anteriormente. 

Agora, se ele não quiser usar a camisinha mesmo assim, isso pode ser só uma desculpa que o menino usa para não se cuidar durante as relações sexuais. Além de ser perigoso para ele, isso também é perigoso para as mulheres com quem ele se relaciona. E se ele tentou fazer isso com você, é provável que tenha feito com outras também.

Então, imagina, transar com um cara que não gosta de usar preservativo e tem relação com diferentes mulheres. Já percebeu como é impossível ter um sexo seguro desse jeito? Ele está colocando em risco a saúde de todas as pessoas que ele se envolveu ou vai se envolver.  

Por isso, é importante que você tenha consciência desse perigo e não dê continuidade ao ato. Na hora, pode ser meio difícil recusar, afinal, o tesão é uma força difícil de ignorar (), mas é necessário que você se mantenha firme e se lembre de tudo que falamos aqui. Transar sem segurança não vale a pena.

Além de poder contrair uma IST, o que pode colocar em risco a sua saúde, você pode ter uma gravidez indesejada. Então, no fim das contas, o saldo disso tudo é bem negativo.

Infelizmente, não é raro que alguns meninos tenham esse tipo de desculpa para transar sem camisinha, desde alergia até alegações de que a “camisinha aperta” ou é “pequena demais”. Neste último caso, só mostrar esse gif aqui:

A sua saúde sempre vale mais. Independente do tipo de relação que você estabelece (entre pessoas cis, entre pessoas não binárias, com ou sem pênis), tenha sempre o seu método de prevenção favorito em mãos e não hesite na hora de insistir no uso. 

Como a gente sempre diz por aqui, informação é poder! Agora você sabe mais sobre a alergia à camisinha, quais são os principais sintomas, como acontece o diagnóstico e o que fazer caso as reações alérgicas sejam confirmadas. Isso pode te ajudar a se cuidar melhor e se proteger, sempre de uma maneira confortável para o seu corpo!

Como você viu, mesmo com alergia à camisinha, é possível fazer um sexo seguro. Não existe desculpa para não se proteger e proteger a pessoa com a qual você se relaciona, certo? 

Caso você se identifique com os sintomas alérgicos, não deixe de procurar um  ou uma ginecologista capacitado para avaliar a sua situação e, assim, permitir que você comece a ter relações sexuais confortáveis, seguras e saudáveis.

E pode sempre contar com a gente para te dizer quando é só papinho mole – porque às vezes é

Referências: 

GASPAR, A.; FARIA, E. Alergia ao Látex. Revista Portuguesa de Imunoalergologia, vol.20, no.3, Lisboa, Julho 2012.CABAÑES, N.; IGEA, JM.;DE LA HOZ, B.. Latex Allergy: Position Paper. Journal of Investigational Allergology and Clinical Immunology, 2012, Vol. 22(5): 313-330.

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Por: Redatora E aí, rolou?


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