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Anticoncepcional: um guia de métodos contraceptivos

1 de julho de 2020 | Por: Redatora E aí, rolou?

Você provavelmente já está cansada de ouvir falar sobre camisinha, pílula anticoncepcional e gravidez indesejada. Mas a verdade é que, mesmo que exista uma conversa sobre métodos contraceptivos, a discussão ainda é rasa e muita gente não tem acesso a informações detalhadas e de confiança sobre esse assunto. 

Você sabia que acesso à contracepção e saúde sexual está inscrito como um direito humano, pela própria ONU (Organização das Nações Unidas), desde 1995? Segundo a Organização, informação confiável e liberdade de decisão quanto à sexualidade e reprodução são fundamentais para assegurar a universalidade de políticas públicas. 

Por outro lado, complicações por conta de gravidez precoce segue sendo a segunda maior causa de morte de meninas entre 15 e 19 anos no mundo [fonte], e estima-se que 1 a cada 5 bebês nascidos no Brasil são filhos de mães adolescentes [fonte]. Esses dados só demonstram que precisamos naturalizar a discussão sobre métodos contraceptivos para ontem!

E foi pensando nisso que elaboramos esse guia, para conversar abertamente com você, não só sobre cada um dos métodos disponíveis, mas também sobre questões de responsabilidade, história e cultura que são impossíveis de ignorar. Quer entender melhor como chegamos até aqui e como você pode decidir qual o melhor método para você? Saca só! 

O direito à saúde sexual e contracepção 

Os direitos humanos das mulheres incluem seu direito a ter controle e decidir livre e responsavelmente sobre questões relacionadas à sua sexualidade, incluindo a saúde sexual e reprodutiva, livre de coação, discriminação e violência. Relacionamentos igualitários entre homens e mulheres nas questões referentes às relações sexuais e à reprodução, inclusive o pleno respeito pela integridade da pessoa, requerem respeito mútuo, consentimento e divisão de responsabilidades sobre o comportamento sexual e suas consequências. (ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS, 1995)

Após uma série de conferências internacionais, a saúde sexual feminina finalmente atingiu seu status de direito humano universal em 1995. Também sabemos hoje que o surgimento e popularização da pílula anticoncepcional no Brasil na década de 60 foi um dos principais responsáveis pela movimentação da mulher para o mercado de trabalho, trilhando o caminho para que nossas mães e avós pudessem viver de forma mais independente e passar a tomar suas próprias decisões.

Pode parecer pouca coisa para a gente hoje, mas imagine que por muito tempo, mulheres foram subjugadas ao marido, ao pai ou ao líder religioso, ora tendo pouco ou nenhum controle de quando iriam engravidar, ora tendo que optar pela abstinência sexual como única forma de controle sobre o próprio corpo. 

É muito importante saber que: tudo que temos hoje é fruto de uma série de acontecimentos históricos. Entender a história pode nos ajudar a entender melhor o nosso presente, os tabus com que lidamos até hoje e até mesmo a falta de informação que ainda assola muitas meninas e mulheres. 

E apesar de todas as conquistas que tivemos nas últimas décadas, ainda estamos longe do ideal. Grandes grupos populacionais ainda tem seus direitos humanos e sexuais violados, como é o caso da população LGBTQIA+, pessoas que vivem com HIV/Aids, pessoas que exercem a prostituição, pessoas com deficiência, população carcerária e, finalmente, adolescentes. É isso mesmo! Adolescentes podem ser considerados um grupo vulnerável quando se trata de saúde sexual e reprodutiva, em grande parte por conta da falta de informação e do moralismo pesado que ainda enfrentamos em nosso país. 

Desde a Constituição de 1988, crianças e adolescentes são considerados como sujeitos de direitos, ao contrário da legislação anterior que considerava meninos e meninas como propriedades dos seus pais. Dessa forma, é um direito seu entender o que é contracepção e quais são os perigos e riscos que uma vida sexual ativa pode trazer, além de ter acesso garantido ao seu anticoncepcional de escolha. E é exatamente sobre isso que vamos discutir! 

Anticoncepcional: o que preciso saber? 

Hoje em dia, temos tantas opções de métodos contraceptivos no mercado que fica até difícil conhecer as particularidades de cada um deles. Abaixo, trouxemos todos os anticoncepcionais que existem, como eles funcionam e quais são as principais indicações. Mas antes, vamos bater um papo bem sério? 

Uso ideal vs Uso típico do anticoncepcional 

Cada método contraceptivo possui instruções próprias e específicas de uso. Quando fazemos uso de um anticoncepcional sem nos atentar ao chamado uso ideal, as chances que esse método falhem aumentam significantemente. 

Por exemplo, o uso ideal da pílula anticoncepcional é que ela seja tomada todos os dias, no mesmo horário. O uso ideal da camisinha masculina é que ela seja usada pelo homem em toda prática sexual na qual ele engaje. Já o chamado uso típico destes dois métodos de exemplo, por outro lado, muitas vezes acaba sendo o esquecimento: esquecemos de tomar o anticoncepcional, garotos e homens esquecem (ou muitas vezes se recusam) a usar camisinha em toda relação sexual, e assim por diante. 

Independente do método de sua escolha, se atente sempre ao uso ideal. Busque se informar em lugares confiáveis (como o E aí, rolou? ) e preze sempre pela instrução médica. O seu ou sua ginecologista está mais do que preparado para te ajudar a utilizar o anticoncepcional de forma adequada!  

Como escolher o melhor anticoncepcional para mim?  

Marque uma consulta com um profissional ginecologista de sua confiança. Ele ou ela saberá exatamente que perguntas te fazer, que exames pedir e que aspectos levar em consideração ao fazer uma recomendação. 

Não existe uma fórmula mágica, um método ou uma combinação de métodos ideal para todo mundo. É muito importante contar com a ajuda médica e com uma boa dose de autoconhecimento e autoavaliação. 

Quais são os métodos contraceptivos? 

Os métodos contraceptivos podem ser classificados em métodos comportamentais (abstinência sexual, coito interrompido, método do muco cervical, tabelinha), métodos de barreira (camisinhas feminina e masculina, diafragma, capuz cervical, esponja), métodos hormonais (pílula anticoncepcional, adesivos, injeções, SIU, pílula do dia seguinte, anel vaginal, implante) e métodos não-hormonais (DIU de cobre, laqueadura, vasectomia). Saiba mais detalhes sobre cada um deles:   

Compare os métodos contraceptivos

Métodos
Eficácia
Protege contra doenças e infecçõesImpactos no ciclo menstrual Facilidade de uso
Abstinência sexual Baixa mesmo no uso idealNão totalmenteNenhumRequer muito autocontrole 
Coito interrompido Baixa mesmo no uso idealNãoNenhumRequer muito autocontrole, existe risco mesmo feito corretamente
Método do muco cervicalBaixa mesmo no uso idealNãoNenhumRequer muita observação, ciclo pode ser irregular 
TabelinhaBaixa mesmo no uso idealNãoNenhumRequer muita observação, ciclo pode ser irregular 
Camisinha masculinaAlta no uso idealSim NenhumDeve ser utilizada em toda relação sexual
Camisinha feminina Alta no uso idealSim NenhumDeve ser utilizada em toda relação sexual
Capuz cervicalAlta no uso idealNãoNenhumRequer prática 
DiafragmaAlta no uso idealNãoNenhumRequer prática
DIU de cobre Alta no uso idealNãoNenhumPrecisa ser colocado por um médico
VasectomiaAlta NãoNenhumÉ uma cirurgia irreversível
LaqueaduraAlta NãoNenhumÉ uma cirurgia irreversível
EspermicidasBaixa sozinho, alta no uso idealNãoNenhumPrecisa ser utilizado em toda relação sexual
DIU hormonal (SIU)Alta no uso idealNãoPode diminuir o fluxo ou causar pequenas irregularidadesPrecisa ser colocado por um médico
Pílula anticoncepcionalAlta no uso idealNãoPode diminuir o fluxo ou causar pequenas irregularidadesDeve ser tomada todos os dias no mesmo horário
Injeção anticoncepcionalAlta no uso idealNãoPode diminuir o fluxo ou causar pequenas irregularidadesDeve ser tomada a cada 1-3 meses, dependendo das orientações
Anel vaginal Alta no uso idealNãoPode diminuir o fluxo ou causar pequenas irregularidadesDeve ser usado por três semanas, com uma de pausa
Adesivo anticoncepcionalAlta no uso idealNãoPode diminuir o fluxo ou causar pequenas irregularidadesDeve ser usado por três semanas, com uma de pausa 

Métodos comportamentais 

Métodos contraceptivos de barreira possuem essa classificação por não se pautarem em nada além do comportamento da pessoa com relação ao ato sexual. Eles não contam com hormônios ou outras substâncias ou proteções chamadas de barreiras

Abstinência sexual

Este é, talvez, o método mais simples de explicar: ao não engajar em nenhum tipo de prática sexual (envolvendo pênis e vagina, especialmente), você automaticamente elimina as chances de gravidez indesejada e IST’s (Infecções Sexualmente Transmissíveis). Faz sentido, né? Mas não é bem assim!

Segundo a UNESCO, programas que incentivam a abstinência sexual como único método contraceptivo são considerados menos eficazes e potencialmente prejudiciais para a saúde de adolescentes, já que usualmente estão atrelados à ausência de informações sobre sexualidade, masturbação e reprodução. 

Outro ponto importante é: existem diversas formas de se estimular prazer sexual em uma pessoa. Quando pensamos em abstinência sexual como método contraceptivo, estamos imaginando o sexo somente como penetração vaginal – o que não é sempre o caso. Pesquisas já demonstraram que somente 16% das mulheres sentem prazer somente com penetração, contra os 60% que afirmam que o estímulo da genital num geral é a maior fonte de prazer. 

É importante ressaltar que doenças e infecções sexualmente transmissíveis podem ser transmitidas mesmo sem penetração. Mais abaixo vamos falar um pouco sobre preservativos, que são a única maneira segura de se prevenir contra esse risco.

Coito interrompido 

Este método é mais antigo do que a própria ciência, sendo talvez esse o motivo de haver tão pouca ciência envolvida nele. Este método consiste em, basicamente, retirar o pênis da vagina antes que aconteça o orgasmo e, consequentemente, evitar que a ejaculação ocorra dentro do corpo da mulher. 

Este método exige muito autocontrole e confiança, o que faz dele também extremamente não confiável. Além disso, existe um líquido chamado de pré-ejaculação, que pode conter espermatozóides. Dessa forma, ainda que o coito interrompido seja realizado da forma correta, o risco de uma gravidez acontecer segue sendo alto

Este método não apresenta prevenção alguma a doenças como IST’s, o que também faz dele um método falho e não confiável. 

Método do muco cervical 

Este método, também chamado de método de Billings, consiste na observação da secreção de muco produzida pelo colo do útero, que pode servir para determinar os dias de ovulação e período fértil durante o mês.

Depois de menstruar, o corpo feminino passa por um período onde não produz secreção (de três a quatro dias), até que se inicia a produção de uma secreção esbranquiçada ou amarelada, de consistência pegajosa. Com o passar dos dias, essa secreção adquire uma consistência mais elástica, similar à clara de ovo. De forma geral, essa secreção indica que a mulher está ovulando. A ideia deste método, então, é evitar qualquer relação sexual assim que esse muco começa a ser liberado. 

É um método extremamente não confiável, pois depende de um autoconhecimento gigantesco por parte da mulher e está altamente suscetível a erros. Além disso, ele também não previne a contração de infecções sexualmente transmissíveis. 

Tabelinha 

Similar ao método anterior, de controle do muco cervical, a tabelinha consiste em monitorar de perto o estágio do seu ciclo menstrual e optar por ter relações sexuais somente nos períodos não férteis. Isso pode ser feito através de flutuações da temperatura corporal, observação de secreções e um autoconhecimento muito grande. 

O método da tabelinha é falho e não confiável. Acompanhar o seu ciclo, entender os seus processos e aprender a verificar seus períodos de fertilidade pode ser uma prática espetacular para nossa saúde e bem estar, mas a irregularidade natural de nossos ciclos e as chances de esquecer de algo ou registrar alguma informação errada podem te colocar em risco de uma gravidez indesejada. 

Além disso, este método não previne a contração de doenças e infecções sexualmente transmissíveis. 

Claro que a escolha é individual de cada uma de nós, mas aqui no E aí, rolou? não recomendamos nenhum método contraceptivo comportamental. Existem muitas outras opções mais eficazes!

Métodos de barreira  

Métodos contraceptivos de barreira consistem em anticoncepcionais que impedem a entrada do líquido da ejaculação masculina no útero. Eles usualmente funcionam exatamente como barreira, seja diretamente no pênis ou na entrada do útero ao final do canal vaginal. 

Camisinha masculina

A camisinha masculina consiste em um revestimento fino, desenhado para acomodar o pênis ereto. Ela geralmente é feita de látex ou poliuretano e possui um reservatório em sua ponta que coleta o sêmen, evitando que ele entre no canal vaginal. Após a relação, essa película deve ser retirada cuidadosamente, evitando que o líquido vaze, e devidamente descartado. Este método não conta com hormônios, então não tem nenhum impacto sobre o seu ciclo menstrual. Algumas pessoas podem apresentar alergia a um ou mais componentes da camisinha. 

Um novo preservativo deve ser usado a cada relação sexual. A camisinha masculina não pode ser reutilizada.

  Não é recomendado usar duas camisinhas masculinas, uma sobre a outra. Isso porque o atrito causado quando eles se esfregam durante a relação pode causar rasgos e furos em seu material, diminuindo drasticamente sua eficácia.

Os preservativos masculinos existem em diversas formas, tamanhos e materiais, que acabam atendendo necessidades e gostos particulares. Este método também atua na prevenção contra doenças e infecções sexualmente transmissíveis, sendo muito confiável quando usado corretamente. 

Além disso, é importante reforçar que esse tipos de preservativo também deve ser usada em toda prática sexual que envolva brinquedos. É possível haver contaminação por meio deles, então, é bom sempre ficar sempre esperta! 

Camisinha feminina 

A camisinha feminina age de forma bastante parecida com a camisinha masculina. Ela também consiste em uma película fina de poliuretano que é introduzida no canal vaginal antes da relação sexual, impedindo a chegada de espermatozoides até o colo do útero. Este preservativo não possui hormônios, então não tem impacto algum no seu ciclo menstrual. 

A camisinha feminina pode ser introduzida no canal vaginal até 24 horas antes da relação acontecer, devendo ser retirada com cuidado pela extremidade aberta e descartada. A camisinha feminina pode exigir um pouco de prática (alou, autoconhecimento!) e algumas mulheres podem sentir certo desconforto com seu uso.  

Da mesma forma, este preservativo deve ser utilizado em toda relação sexual e não é recomendado que se use mais de um preservativo por vez, já que existe o risco de que o atrito cause rasgos em seu material. Além disso, não é recomendado o uso da camisinha feminina em conjunto com a masculina, pelo mesmo motivo. 

Tanto a camisinha feminina quanto a masculina não requerem receita médica para serem utilizadas.

Aqui no E aí, rolou? recomendamos o uso da camisinha feminina ou masculina em toda relação sexual, independente da existência de outros métodos contraceptivos. Isso porque este é o método mais eficiente na prevenção de doenças e infecções.

Capuz cervical

O capuz cervical se assemelha bastante a um plug, geralmente feito de silicone ou látex macio, possuindo uma forma redonda que se encaixa na entrada do colo útero, impedindo que o líquido da ejaculação chegue até o útero. 

Este método deve contar com um profissional ginecologista para averiguar o tamanho adequado, além de ser pouco confiável se utilizado sozinho. O capuz cervical pode ser uma opção interessante para prevenção de gravidez quando usado em conjunto com um espermicida (falamos sobre ele mais para frente!), por exemplo. Novamente, consulte um médico antes de optar por este método.

O capuz deve ser introduzido na vagina antes de toda relação sexual. Essa introdução pode requerer um tanto de prática por parte da mulher. A má colocação do capuz cervical pode acarretar em uma gravidez indesejada, já que os espermatozóides podem entrar pelas frestas. O capuz deve ficar no lugar por pelo menos 6 horas após a relação, mas ser retirado em no máximo 48 horas, já que existe o risco de Síndrome do Choque Tóxico.  
Este método não possui hormônio, portanto não impacta no seu ciclo menstrual. Ele é pouco confiável por si só (mesmo usado corretamente), além de não proteger contra doenças e infecções sexualmente transmissíveis.

Diafragma 

O diafragma é um disco flexível, geralmente feito de látex ou silicone, que pode ser encaixado no canal vaginal para bloquear a passagem do líquido da ejaculação. Assim como o capuz cervical, ele apresenta uma maior eficácia quando usado em conjunto com espermicidas, já que possíveis brechas podem ser o suficiente para uma gravidez indesejada acontecer. 

O diafragma deve ser inserido no canal vaginal antes da relação sexual e pode ficar ali por até 24h antes da relação. Ele deve ficar onde está por pelo menos 6 horas depois da relação, mas ser retirado em no máximo 24 horas, já que existe o risco de Síndrome do Choque Tóxico. 

Caso o sexo aconteça mais de uma vez, o espermicida deve ser reaplicado. Além disso, conte sempre com ajuda de um profissional da saúde para averiguar o tamanho ideal do diafragma. De tempos em tempos, você também deve checar se o diafragma está intacto, já que possíveis danos em sua estrutura podem afetar sua eficácia. 

O diafragma em conjunto com espermicidas, assim como os preservativos e o capuz, deve ser utilizado em toda relação sexual. O diafragma não protege contra doenças e infecções sexualmente transmissíveis. 

Métodos não-hormonais

Os métodos contraceptivos não-hormonais levam essa classificação por não contarem com terapias hormonais em sua composição. Todos os métodos mencionados acima podem também ser considerados não-hormonais, porém suas particularidades comportamentais ou de barreira os diferenciam um pouco dos seguintes: 

DIU de cobre

DIU é a sigla para Dispositivo Intrauterino, sendo ele um pequeno dispositivo em formato de T. Existem as versões hormonais (que vamos explicar mais adiante) e também essa versão chamada DIU de Cobre, que não é hormonal, mas conta com um fio que libera íons de cobre que imobilizam o espermatozóide, impedindo a fertilização de óvulos. Este fio de cobre também atua se algum espermatozóide acabar passando, impedindo que ele seja implantado na parede do útero. 

Apesar de não ser hormonal, o DIU de cobre pode impactar o seu ciclo menstrual, ocasionando menstruações mais longas e cólicas mais intensas. Este método contraceptivo deve ser acompanhado de um profissional da saúde. O dispositivo é colocado pelo médico ou médica e permanece eficaz pelo período de 5 a 10 anos. É um método contraceptivo de longa duração muito eficaz e confiável, entretanto ele não protege contra doenças e infecções sexualmente transmissíveis. 

Vasectomia 

Também conhecida como esterilização masculina, a vasectomia é um método contraceptivo cirúrgico e permanente. Ele consiste em um corte nos tubos que levam os espermatozóides dos testículos ao pênis no momento da ejaculação. O procedimento é realizado com anestesia local. 

Após o procedimento, o homem segue ejaculando normalmente, mas o líquido sai livre de espermatozóides. A vasectomia não afeta a libido ou desejos sexuais, somente a fertilidade. Este método claramente precisa do acompanhamento médico para ser realizado. 

Alguns procedimentos de esterilização masculina podem ser revertidos, mas em geral é permanente. A eficácia é alta, porém se recomenda que outros métodos sejam utilizados em conjunto. Este método não é muito acessível, é bastante complicado e não protege de doenças e infecções sexualmente transmissíveis. 

Laqueadura

Também conhecida como esterilização feminina, a laqueadura é um método contraceptivo cirúrgico e permanente. Geralmente o procedimento é feito sob anestesia geral (o que aumenta o tempo de recuperação) e envolve o corte e vedação das tubas uterinas, impedindo que nosso corpo libere óvulos no útero. Após o procedimento e o tempo de recuperação, a laqueadura não afeta a libido da mulher, somente a fertilidade. Este procedimento deve contar com acompanhamento médico.

Este procedimento não é reversível, pode causar complicações como dor, sangramento e infecções, além de não proteger contra doenças e infecções sexualmente transmissíveis. 

No Brasil, a lei 9.263 de 1996 regulamenta que a esterilização permanente somente poderá ser realizada em homens e mulheres com capacidade civil plena e maiores de 25 anos ou com dois ou mais filhos vivos (www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9263.htm).

Espermicidas

Espermicidas podem ser espumas, cremes ou pastas que contém compostos químicos que impedem o deslocamento do espermatozóide no canal vaginal. Existem muitas opções no mercado, mas todo agem de maneira parecida e devem ser combinados com outros métodos e usado em toda relação sexual. Espermicidas não são eficazes sozinhos. 

A forma de uso correta vai depender do outro método escolhido. Se você optar por um capuz cervical ou diafragma, deve espalhar o espermicida por toda a borda do dispositivo antes de introduzi-lo no canal vaginal. Você pode ainda usar os espermicidas em conjunto com as camisinhas femininas e masculinas, aumentando sua eficácia. 

É muito importante se atentar à data de validade do espermicida antes de usá-lo, além de prestar atenção em sua composição e ficar esperta com possíveis alergias e irritações que ele pode causar. Consultar um médico ginecologista é fundamental. Este profissional pode te ajudar a entender se o espermicida é uma boa opção para você. 

Espermicidas não possuem hormônios, portanto não impactam no seu ciclo menstrual. Eles também não protegem contra doenças e infecções sexualmente transmissíveis. 

Métodos hormonais

Os métodos hormonais, como o próprio nome já diz, são métodos que contam hormônios sintéticos (estrogênio e progesterona) para fazer a contracepção. Alguns combinam os dois hormônios, outros possuem somente progesterona. Os métodos hormonais podem ser tomados, injetados, inseridos no canal vaginal, aplicados à pele ou implantados sob a pele. 

DIU hormonal – SIU 

Assim como o DIU de cobre, que já mostramos aqui, o chamado Sistema Intrauterino (SIU) é um pequeno dispositivo em formato de T que é inserido no útero pelo médico. A diferença neste caso é que ele contém um reservatório de progestina, um hormônio sintético que vai sendo liberado lentamente, que afina o revestimento do útero e engrossa o muco cervical, impedindo que o espermatozóide se mova. Uma vez colocado, o SIU age por até 5 anos. 

Este método é bastante confiável e eficiente na contracepção, mas não protege contra doenças e infecções. Pode ser uma boa opção para quem está buscando contracepção a longo prazo, mas deve sempre ser escolhido com a ajuda de um médico ou médica ginecologista. 

Por se tratar de um método hormonal, ele pode ter impactos em seu ciclo menstrual. Algumas mulheres podem sentir que a menstruação está menos intensa e frequente, enquanto outras apresentam cólicas e sangramentos irregulares. Além disso, sangramentos de escape podem acontecer nos primeiros meses. Estes sintomas são normais, porém busque sempre fazer o acompanhamento com um profissional. 

Pílula anticoncepcional 

A pílula anticoncepcional é um método contraceptivo hormonal de ingestão. São pequenas pílulas contendo hormônios que devem ser tomadas todos os dias, de preferência no mesmo horário, independente da frequência com a qual relações sexuais acontecem. 

Você pode encontrar a pílula combinada, que contém estrogênio e progestina, já a minipílula é uma alternativa para meninas e mulheres que não se dão muito bem com anticoncepcionais à base de estrogênio, contendo somente a progestina. As duas pílulas anticoncepcionais atuam impedindo que os ovários liberem óvulos durante o ciclo menstrual e engrossando o muco cervical, o que dificulta a locomoção do espermatozóide. 

A pílula anticoncepcional requer muita responsabilidade e organização. Voltando em nossa discussão sobre uso típico e uso ideal, a pílula é um excelente exemplo de eficácia altíssima quando tomada corretamente, porém apresenta riscos altos de uma gravidez indesejada quando tomada incorretamente. 

Este método pode impactar positivamente o seu ciclo menstrual, aliviando fluxos mais intensos e doloridos. Nunca tome nenhum tipo de pílula anticoncepcional sem antes consultar com um médico ou médica ginecologista. A pílula anticoncepcional não protege de doenças e infecções sexualmente transmissíveis. 

Injeção anticoncepcional 

Este método contraceptivo hormonal conta com uma injeção periódica de hormônios, que podem ser uma combinação de progestina e estrogênio, ou então a progestina isolada. A injeção anticoncepcional atua da mesma forma que a pílula, evitando que os ovários liberam óvulos e deixando o muco cervical mais espesso. A diferença é que essas injeções podem ter efeitos que duram de um a três meses, dependendo do tipo. Se você optar pela injeção, seu médico ou um farmacêutico podem fazer a aplicação. 

Este método é bastante eficiente quando aplicado devidamente por um profissional de saúde e o tempo entre as injeções é rigorosamente respeitado. Por conter hormônios, esse método pode impactar no seu ciclo menstrual, causando sangramentos irregulares ou ausência de menstruação em alguns meses. Algumas pessoas podem apresentar dores de cabeça e alteração de humor no período de adaptação. 

A injeção anticoncepcional não protege contra doenças e infecções sexualmente transmissíveis.

Implante

O implante se trata de um pequeno bastão flexível que contém o hormônio progestina. Este bastão é colocado pelo médico por debaixo da pele, geralmente na parte interna do braço. Uma vez colocado, ele libera o hormônio pelo corpo todo e funciona como outros métodos hormonais, impedindo a liberação de óvulos e engrossando o muco cervical. 

Este método dura até três anos, sendo uma boa alternativa para contracepção a longo prazo. Um médico deve sempre ser consultado para este procedimento. O implante hormonal não protege contra infecções e  doenças sexualmente transmissíveis. 

Assim como outros métodos hormonais, o implante pode impactar o seu ciclo menstrual, além de poder apresentar efeitos parecidos com o da pílula hormonal na fase de adaptação. 

Anel vaginal

O anel vaginal nada mais é do que um anel feito de plástico macio e flexível que contém e libera progestina e estrogênio. Estes hormônio atuam da mesma maneira que em outros métodos hormonais: evita a liberação de óvulos e deixa o muco cervical mais grosso. 

O anel fica posicionado na parede da vagina, podendo ser inserido assim como um absorvente íntimo ou coletor menstrual. Quando colocado corretamente, ele não incomoda é deve ficar onde está por três semanas. Ao final deste período, você deve retirá-lo e dar uma pausa de uma semana, colocando um novo anel em seguida. 

Se o anel sair do lugar, você pode ajustá-lo por até três horas. Passada essa janela de tempo, outro método de contracepção deve ser utilizado se relações sexuais forem acontecer. Consulte um médico ou médica ginecologista antes de usar o anel vaginal. 

Apesar da alta eficácia atrelada a métodos hormonais, o anel possui o dificultador de que pode ser colocado de forma errada. Novamente, o uso ideal provê boa eficácia na prevenção de gravidez, mas o uso típico pode oferecer riscos. 

O anel vaginal não protege contra infecções ou doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, por se tratar de um método hormonal, ele pode desregular ou interromper totalmente a menstruação, além de outros efeitos como dores de cabeça e flutuação de humor.  

Adesivo anticoncepcional 

O adesivo anticoncepcional consiste em pequenos adesivos que contém os hormônios estrogênio e progestina e podem ser colados em diversas partes do corpo (nas costas, nádegas, braços ou no abdômen). Eles atuam como todos os outros métodos hormonais, impedindo os ovários de liberar óvulos e espessando o muco cervical.  

O adesivo deve ser posicionado na parte do corpo escolhida e lá fica por uma semana. Passado esse tempo, você deve trocar por um adesivo novo. Após três semanas, dê uma pausa no uso do adesivo – durante essa semana, sua menstruação deve descer. Depois, você repete esse mesmo ciclo. 

O adesivo anticoncepcional é bastante eficiente em seu uso ideal. Tome cuidado, pois este método pode ter problemas, como o adesivo descolar. Converse com um médico ou médica ginecologista, tanto para pegar a receita para o adesivo quanto para tirar dúvidas quanto à posição. 

O adesivo anticoncepcional exige responsabilidade para manter seu uso correto. Por se tratar de um método hormonal, o adesivo pode impactar o seu ciclo menstrual, tanto amenizando menstruações mais intensas quanto em pequenos sangramentos irregulares. Além disso, ele não previne contra doenças e infecções sexualmente transmissíveis. 

Pílula do dia seguinte 

A pílula do dia seguinte, ou melhor ainda contraceptivo de emergência, consiste em um único comprimido que deve ser tomado em até 72 horas após a relação sexual desprotegida. 

A pílula tem uma atuação parecida com a dos outros métodos hormonais, porém a sua dosagem é bastante alta e concentrada, que é o que lhe dá a característica emergencial. Entretanto, ela pode acarretar diversos efeitos colaterais e realmente só é indicada em último caso (camisinha romper, violência sexual, etc). O nome pílula do dia seguinte se popularizou bastante, mas não se deixe enganar: este método pode ser bastante perigoso e deve ser evitado ao máximo


Referências:

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde sexual e saúde reprodutiva / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Ministério da Saúde, 2010. 300 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n. 26)

Pedro, Joana Maria. A experiência com contraceptivos no Brasil: uma questão de geração. Revista Brasileira de História. São Paulo, v. 23, nº 45, pp. 239-260 – 2003

Qualificando os números: estudos sobre saúde sexual e reprodutiva no Brasil / org. por Paula Miranda-Ribeiro; Andréa Branco Simão. – Belo Horizonte: ABEP :UNFPA, 2008. 

Taylor, Gordon Rattray. Sex in History. New York, NY: Harper & Row, c1970, 1973.

UNESCO. International Technical Guidance on Sexuality Education. 2018 (revisado); p. 18. Disponível em inglês em: https://sxpolitics.org/wp-content/uploads/2018/02/260770e.pdf

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Por: Redatora E aí, rolou?


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Comentários

  • Elly

    23 de julho de 2020 | 14:39

    Amei o artigo <3