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Sexo e sexualidade

Primeira vez: um guia honesto

2 de julho de 2020 | Por: Redatora E aí, rolou?

Ahhh, a famosa! Pois é, a gente sabe que pode ser super desconfortável falar sobre a primeira vez, tenha ela acontecido ou não. A primeira transa é uma experiência que todo mundo tem e é normal ter várias dúvidas, medos e anseios. 

Além disso, vivemos numa sociedade cheia de tabus, né? Quando é assim, ter informações confiáveis, praticar o autoconhecimento e ter as ferramentas necessárias para tomar suas próprias decisões é fundamental! Todo mundo tem o direito de perguntar, se informar e ter essa experiência de forma respeitosa e segura. 

Uma coisa que o tabu faz é dificultar que esse tipo de informação chegue até todo mundo – e isso pode ser muito perigoso! Sexo pode ser uma coisa muito boa e nenhum de nós estaria aqui hoje sem ele, mas é preciso ter muita responsabilidade consigo mesma e com o outro. 

E foi pensando nisso que trouxemos esse guia hoje. Queremos conversar com você de forma honesta sobre a primeira vez, desmentir alguns mitos e responder algumas perguntas! Confere aí!

Primeira vez: coisas importantes que você precisa saber

Sentir tesão é uma coisa natural do corpo humano. Não há nada de errado em ter vontade de transar e é normal que muitas dúvidas surjam. Independente de como isso se manifeste, saiba que está tudo bem.

Existem diversas formas de receber e dar prazer, por isso sua primeira vez não precisa ser igual a de ninguém. A gente garante que vai ser muito melhor tirar um tempo para encontrar o que você gosta do que tentar replicar o que a sua amiga te contou ou o que você viu em um filme.

 
Sexo é coisa séria. Busque sempre se informar muito bem sobre IST’s (infecções sexualmente transmissíveis), métodos contraceptivos e consentimento. O que acontece neste momento pode mudar a sua vida para sempre, temos que estar sempre conscientes disso!

Qual é a idade certa para a primeira transa?

Seja na adolescência ou na vida adulta, não existe uma idade certa para a primeira transa. Cada um vai dizer uma idade diferente que considera adequada, mas a verdade é que depende de você. A idade certa para a primeira vez é aquela na qual você se sente totalmente confortável com a experiência.

Vivemos em um mundo meio louco, né? De um lado, podemos enfrentar pressões sociais e moralistas de “casar virgem” ou “se guardar para uma pessoa especial”, mas também sentimos que precisamos saber o que estamos fazendo na hora H.

No meio dessa contradição toda, existe o fato de que ainda não é tão normal assim falar abertamente sobre sexo, especialmente de uma forma séria e sincera. Você sabia que 41% das jovens brasileiras não conversam sobre sexo com os pais? Bom, com tudo isso envolvido, fica difícil de escolher em quem acreditar, não é?

Por isso, desapega de todas essas ideias! Tire um tempo para aprender mais sobre seu próprio corpo, se dê um tempo para confiar na pessoa que vai embarcar nessa contigo e quando estiver completamente confortável e segura, você vai reparar que as coisas podem acontecer com bastante naturalidade.

? Se você quer transar pela primeira vez, mas sente alguma coisa te incomodando, talvez não seja mesmo o momento certo. Aceite esse incômodo e tente encontrar o motivo, não deixe de escutar os sinais que o seu próprio corpo te dá!  

? Se você tem pressa para transar pela primeira vez, também vale a pena investigar. De onde vem essa pressa? Você está se comparando com alguma amiga? A outra pessoa está sendo muito insistente? Pode ser que seja só muita vontade mesmo, mas foque sempre nas suas necessidades e não se deixe levar por forças externas.

Como saber se estou pronta para minha primeira vez?

Para saber se você está pronta para sua primeira vez, é necessário ter um papo muito honesto consigo mesma e se fazer as seguintes perguntas:

  • Onde eu estou me informando sobre sexo? Minhas fontes são confiáveis?
  • Quanto eu sei sobre prevenção de doenças e gravidez? Quanto eu sei sobre consentimento e sexo seguro?
  • Eu estou emocionalmente preparada para lidar com os meus sentimentos e com os possíveis sentimentos da outra pessoa?
  • Eu me sinto 100% confortável com a perspectiva de ter minha primeira relação sexual? Isso me causa alguma ansiedade? Por que?
  • Eu confio o suficiente na pessoa para ter uma conversa aberta sobre isso?

Conversar com um médico sobre isso também pode fazer toda a diferença na hora de tomar essa decisão. Este profissional pode ser seu melhor amigo e responder todas as suas dúvidas de forma clara. A decisão continua sendo sua, mas um ginecologista pode te ajudar muito a se sentir totalmente confortável para dar este passo.

Outro ponto importante é entender que sexo não é só um ato físico. A vontade e a atração tem um papel muito grande, mas toda a expressão da sexualidade é bastante complexa. Sua primeira transa não é só uma questão de “perder a virgindade” ou de “matar a curiosidade”.

A Organização Mundial de Saúde definiu sexualidade da seguinte maneira:

“Sexualidade é um aspecto central de toda a vida do ser humano e abrange o sexo, as identidades e os papéis de gênero, orientação sexual, erotismo, prazer, intimidade e reprodução. A sexualidade é experimentada e expressada nos pensamentos, nas fantasias, nos desejos, na opinião, nas atitudes, nos valores, nos comportamentos, nas práticas, nos papéis e nos relacionamentos. Embora a sexualidade possa incluir todas estas dimensões, nem todas são sempre experimentadas ou expressadas. A sexualidade é influenciada pela interação de fatores biológicos, psicológicos, sociais, econômicos, políticos, culturais, éticos, legais, históricos, religiosos e espirituais.”

Por isso falamos sobre autoconhecimento lá no começo! Entrar em contato com a sua personalidade, individualidade e cultura também é uma reflexão importante quando se está pensando em ter sua primeira relação. Entender quais são suas expectativas com relação a sexo e de onde elas vêm vai te ajudar a responder todas as perguntas que fizemos ali em cima

Enfim: faça sexo porque você quer e com quem você quer. Nem você nem a outra pessoa precisam seguir um roteiro. O seu momento não precisa parecer com o momento de outras pessoas. Ele precisa apenas ser do seu jeito.

Uma dica é pegar papel e caneta e despejar seus sentimentos! Pense bastante, escreva o que se passa pela sua cabeça, releia o que você escreveu. Esta prática pode te ajudar a encontrar respostas!

Com o que devo me preocupar na minha primeira vez?

Se informe

Procurar um ginecologista para fazer exames preventivos, entender melhor sobre os contraceptivos é muito importante. Tomar anticoncepcional sem orientação médica pode trazer danos à sua saúde.

Ler artigos de fontes confiáveis (como este aqui!) também pode ajudar.

Use camisinha!!!

Não importa se você vai programar a sua primeira vez com dia e hora marcados ou se ela vai acontecer inesperadamente. Usar camisinha é premissa para evitar muitas dores de cabeça. A falta de um preservativo pode resultar em contaminação de alguma Infecção Sexualmente Transmissível (ou IST, também conhecidas como DSTs) ou em uma gravidez indesejada.

Além disso, a camisinha é um dos métodos mais eficazes na prevenção de uma gravidez indesejada. Existem diversos tipos de camisinha no mercado. Escolha com cuidado e saiba manusear com atenção.

Higiene íntima

É muito importante que você e a outra pessoa estejam com a higiene íntima em dia. Existe bastante mito com relação à higiene íntima feminina, mas é importante lembrar que nossa vulva tem um ecossistema e um pH próprios, e que muitos sabonetes íntimos podem desequilibrar isso. Água corrente dá conta do recado!

E não caia nessa de que você precisa estar depilada! Se depilar ou não é uma escolha somente sua. Confia na gente, se a pessoa com quem você vai transar não aceita seu corpo como ele é, provavelmente não vale a pena

A primeira vez dói?

Por muito tempo, se acreditou que a nossa primeira relação sexual era definida pela dor. Essa ideia está errada por diversos motivos:

Sexo vaginal é só uma das inúmeras práticas sexuais possíveis. Acreditar que nossa primeira vez dói está muito associada uma ideia heteronormativa de sexo que simplesmente não é realidade para todo mundo. 

  Caso você esteja pensando especificamente em sexo vaginal, nosso canal vaginal apresenta uma grande elasticidade, ele não oferece resistência. O pênis, independente do tamanho e espessura, não vai “forçar a barra” e machucar você, pois seu canal vaginal pode se preparar para recebê-lo.

Um estudo feito em 1985 ¹ buscou entender esta crença. Em sua conclusão, o autor escreve:

“Talvez a maior ironia da mitologia sobre a primeira relação sexual da mulher é que ela passa a impressão equivocada de que sentir dor é uma sina e nada pode ser feito. Este estudo mostrou que a experiência subjetiva de dor está diretamente relacionada à estruturas de valores sociais e ao afeto e pode estar relacionada à experiências não sexuais que a mulher teve previamente.”

A dor que nossa cultura associa à primeira transa da mulher está relacionada muito mais a um fator psicológico: quando estamos nervosas ou ansiosas (como é o caso de muitas pessoas nesse cenário!), nossos músculos se contraem – incluindo a musculatura do canal vaginal. Considerando que o sexo vaginal ainda é considerado o “padrão”, é possível perceber como essa crença se estabeleceu.

Existe também a questão da lubrificação: o nosso corpo cria sua própria lubrificação quando está excitado, que é muito importante para que tudo aconteça de forma tranquila e indolor. Porém essa produção natural não acontece quando estamos nervosas – ou quando não estamos sendo propriamente estimuladas. Isso também pode ocasionar desconfortos durante a transa.

E exatamente por isso que dizemos: a primeira transa não dói, ou pelo menos não deveria. O segredo é estar confortável, relaxada e conversar honestamente com a outra pessoa sobre o que vai acontecer.

É verdade que quanto mais velha, mais dói a primeira vez?

Não há um fator determinante e apontando que quanto mais velha mais dói a primeira vez. Esta é mais uma crença fabricada a partir de suposições que estão simplesmente equivocadas, como discutimos anteriormente.

Devo contar para a pessoa que é minha primeira vez?

Em primeiro lugar, é importante enfatizar que: não tem nada de errado em nunca ter transado. Não é algo que você deva ter vergonha de compartilhar com a pessoa com quem quer ter mais intimidade. A pessoa pode ou não já ter tido outras relações, isso não deve importar.

Somente você saberá o peso de falar sobre sexo mais abertamente com outra pessoa. Se esse tipo de conversa vem naturalmente para vocês, ótimo! Explore isso, faça perguntas, compartilhe seus sentimentos e cheguem em um acordo respeitoso para aproveitar esse momento juntos.

Caso contrário, talvez seja a hora de dar um passo para trás e analisar as coisas com cuidado. Se pergunte porque você não quer compartilhar isso com a outra pessoa e, dependendo da resposta, avalie se não vale a pena tirar mais um tempinho para ponderar.

Como já dissemos aqui, você precisa se sentir aceita. O seu corpo, a sua história e as suas necessidades precisam ser respeitados e contemplados pela outra pessoa. Se você não está se sentindo aceita, comunique isso antes de mais nada. Lembre-se: sexo é coisa séria. O seu corpo e os seus sentimentos também.

O que fazer na minha primeira vez?

Bom, sexo não é uma receita de bolo.

O próprio conceito de primeira vez pode ser debatido aqui, já que muitas vezes engajamos em atos sexuais com outras pessoas que acabamos não considerando “sexo de verdade”, geralmente por uma visão heteronormativa de que sexo precisa de penetração.

Práticas como sexo oral ou masturbar a outra pessoa muitas vezes acabam “não contando” como primeira vez. Mas isso não é regra! Ninguém disse que a sua primeira vez não pode consistir de carícias diferentes da penetração, se é isso que você quer.

A sua primeira transa pode ter a forma que você quiser. Homens cis, mulheres cis, pessoas não binárias, pessoas trans, enfim, todos têm o direito de decidir seus parceiros, que tipos de toques gosta de receber e sensações que gosta de sentir.

O corpo humano possui muitas áreas erógenas que podem ser estimuladas de diversas maneiras para gerar prazer. Além disso, as pessoas possuem diferentes orientações sexuais, fetiches, vontades e gostos pessoais. Dessa forma, fica muito difícil de saber exatamente o que fazer se não rolar um papo sobre isso.

A masturbação pode ser sua grande aliada para descobrir onde você gosta de ser estimulada. Temos um conteúdo todinho dedicado a te ensinar como explorar o seu corpo, confere lá! Assim fica muito mais fácil mostrar isso para a pessoa na hora

Pergunte para a pessoa do que ela gosta. Antes de tentar adivinhar ou de seguir sem saber o que fazer, opte por dar a oportunidade para que a pessoa te mostre. 

Não tenha medo de tocar a pessoa. Quando tudo é feito na base do respeito e do acordo, não há porque ter medo de explorar o corpo da outra pessoa. Use os dedos, a boca, enfim, o que preferir!  

Preste atenção nos movimentos e reações, tanto do seu próprio corpo quanto do corpo da pessoa. O prazer sexual é uma sensação incrível, e o nosso corpo responde a isso. Arrepios, gemidos, espasmos leves e até mesmo o riso podem ser bons indicadores. 

Você não precisa ser uma expert do sexo. É sua primeira vez! É normal que algumas coisas não saiam perfeitamente ou que alguns toques pareçam estranhos. Tá tudo bem ir ajustando ao longo do caminho. 

Eu vou ter um orgasmo na minha primeira vez?

Algumas mulheres atingem o orgamos em sua primeira relação sexual, outras não. Isso vai depender de uma série de fatores, em especial como a outra pessoa se comporta durante a relação e que tipos de estímulos você recebe.

Neste ponto é importante manter em mente: sim, toda mulher pode atingir o orgasmo na primeira relação sexual, mas esse não precisa ser o único critério para definir se foi bom ou não. Também é perfeitamente normal que o orgasmo não aconteça. Gozar ou não gozar ao final da transa não é a única forma de aproveitar o momento.

O que acontece depois da minha primeira vez?

Dependendo da intensidade dos movimentos, dos tipos de toques e práticas que foram feitas e do seu corpo como um todo, alguns sintomas podem rolar:

Sangramento após a primeira relação sexual é um sintoma que está bastante associado à visão de dor que discutimos anteriormente, mas ele ainda pode rolar em alguns casos. Se acontecer, está tudo bem! Mas caso você continue tendo sangramento nas relações seguintes, procure um médico!

Você pode sentir uma ardência mais leve ao fazer xixi. Isso é uma resposta natural do seu corpo. Se o incômodo persistir por mais de uma semana, procure seu ginecologista.

Contrações do corpo: as contrações são bem naturais. Há quem não as tenha tanto e há quem as sinta com muita intensidade. Não precisa se preocupar em controlar isso. Novamente, se passar a te incomodar, procure um médico. 

Vou me sentir diferente depois da primeira vez?

A primeira transa significa coisas diferentes para pessoas diferentes. É muito difícil prever como cada indivíduo vai se sentir depois de uma experiência como essa.

O seu corpo não vai mudar, mas você certamente terá sentimentos e impressões muito particulares. A dica que demos anteriormente de escrever sobre o que você está sentindo pode voltar a ser útil aqui!

Vale a pena também conversar com a outra pessoa depois, compartilhar como você se sentiu e perguntá-la como foi para ela.

No final, a sua primeira vez é só isso: a primeira. Acredite, outras transas virão e tá tudo bem!

E aí, ficou mais tranquila?

Referências: 

 ¹ WEISS, David L. The experience of pain during women’s first sexual intercourse: Cultural mythology about female sexual initiation, Archives of Sexual Behavior, Vol. 14, No. 5, 1985.

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Por: Redatora E aí, rolou?


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Comentários

  • Naiana

    27 de agosto de 2020 | 18:46

    Ameiii, foi muito bom pra mim

  • Mônica Maida

    23 de agosto de 2020 | 11:03

    MUITO OBRIGADA! Kkkkkk eu amei a página por inteiro, esclareceu muita coisa para mim, não só em relação a primeira vez mas em outros também. Sinto que esse site vai ajudar MUITAS das minhas amigas... Até pq algumas das nossas dúvidas não são tiradas no colégio, mais por causa da vergonha do que o fato de "não ter conteúdo", sabe? Mas fico feliz em ter o apoio de pessoas como você (s) além dos meus pais (ainda tenho esse privilégio rsrs)... Muito obrigada de verdade!