Sexo e sexualidade

Vamos conversar sobre virgindade?

6 de novembro de 2020 | Por: Redatora E aí, rolou?

A virgindade ainda é um fenômeno cultural significativo e repleto de tabus. Mas do que estamos falando exatamente quando dizemos que alguém não é mais virgem? É o fim da pureza, rompimento do hímen, experiência sexual? O que é e por que é tão comentada e questionada essa tal de virgindade?

De onde vem o conceito de virgindade?

Virgindade não é algo que “existe”: não pode ser mensurado, observado ou constatado. Não existe uma definição biológica específica para virgindade e não existe nenhum outro animal no planeta que demonstre incorporar esse tipo de conceito em sua atividade sexual.

Virgindade, assim como justiça, é um conceito inventado e reinventado pelo ser humano ao longo de séculos e pelas mais diferentes culturas ao redor do mundo. Além disso, o conceito de virgindade não foi definido da mesma maneira ao longo da história. Por exemplo: o hímem, hoje considerado um dos pilares da virgindade, não foi descoberto até o século dezesseis.   

Além disso, tudo que se entende por sexo passa também pelas lentes da cultura. Para algumas culturas antigas, como a Grécia Antiga, a virgindade era uma questão praticamente comportamental, ora vista como um objeto que a mulher tem ou não, ora vista como uma qualidade abstrata. Já o advento do cristianismo trouxe consigo a ideia de múltiplas virgindades, como se tivéssemos uma “virgindade física” e uma “virgindade espiritual”. 

Desta forma, percebemos que o conceito de virgindade não veio de um único lugar, mas sim foi construído pelas diferentes sociedades que existiram ao longo de nossa história, sempre significando coisas diferentes para cada indivíduo. 

Por que se fala em virgindade até hoje?

Leis, religião, arte e medicina são algumas das formas como o conceito de virgindade foi se moldando pela cultura ocidental, o que demonstra como um conceito tão vago e difícil de definir se tornou tão comum entre pessoas de lugares e histórias diferentes. 

Além disso, apesar de sua imprecisão, o conceito de virgindade impactou (e impacta até hoje) de forma muito direta a vida de milhões de mulheres. Ele está presente em nosso imaginário, em nossos filmes e livros, em nossas conversas do dia a dia, em nossa formação de julgamentos quanto a nós mesmas e de outras pessoas. 

Por estar profundamente ligado a questões morais e sociais, o conceito de virgindade pode condicionar o comportamento sexual de mulheres de uma forma negativa, seja na obrigação de provar que é virgem para o futuro marido, seja na hora de conversar sobre experiências sexuais com amigos e famílias. 

Pensando em nossa própria cultura, estamos vendo algumas mudanças acontecendo e certas crenças com relação à virgindade começando a ser consideradas antiquadas, entretanto a discussão toda sobre virgindade segue firme e forte enquanto presença na vida de mulheres por todo o Brasil. 

Isso também pode ser considerado um resultado da nossa formação história e cultural, que importou muito da religião cristã e dos costumes europeus, que tinham a virgindade como uma caraterística de pureza, valor e obrigação da “boa mulher”, e foi reforçado ao longo de muitos anos pelas famílias, produções culturais e até mesmo lideranças políticas.   

Afinal, o que é perder a virgindade? 

Como discutimos acima, o conceito de virgindade é vago e extremamente variável dependendo da cultura que estamos observando. Desta forma, definir o que é perder a virgindade pode ser um desafio. 

De forma geral, em nossa sociedade hoje, perder a virgindade é um conceito heterocêntrico e focado somente em penetração. Consideram-se virgens aquelas que não tiveram o “hímem rompido”, ou seja, que não tiveram penetração vaginal. Além disso, “perder a virgindade”, para muitos, significa também experienciar sangramento na primeira relação sexual. 

Este conceito, por si só, é falho. Em primeiro lugar, limitar o sexo à penetração é limitar as relações e suas formas. Sendo mais claro, somente o sexo entre heterossexuais seriam passíveis de envolver virgindade ou não. 

Além disso, o hímem é uma fina membrana que pode ou não ser rompido na primeira relação sexual com penetração vaginal, mas pode também ser rompido pode ser rompido de outras maneiras que não na primeira relação sexual, sendo que algumas mulheres não tem hímem para começar a conversa. 

Outro ponto de provocação: se o hímen fosse mesmo uma membrana que “reveste” toda abertura do canal vaginal, como seria possível que meninas tivessem suas menstruações antes de “perder a virgindade”? 

Por fim, sangramento durante a relação sexual não deveria ser normal, mesmo na primeira vez. A gente fala um pouco mais sobre isso em nosso guia da primeira vez.  

Enfim, é claro que você pode ter uma ideia clara para você do que é virgindade, não tem nada de errado com isso, desde que você se sinta confortável.

O que é e para que serve o hímen? 

O hímen é uma membrana fina e carnuda, que fica localizada na abertura da vagina. Ele é formado antes mesmo do nascimento, ainda na fase de embrião quando a vagina sequer está formada ou tem abertura. Quando a região íntima da mulher toma forma, esse resquício permanece lá, constituindo o hímen. E, até onde a medicina sabe, ele não possui função nenhuma.

Existem tipos de hímen diferentes? Quais?

Sim, existem diferentes tipos de hímen, porém essa classificação interessa mais à profissionais da saúde e peritos legais do que qualquer outra coisa. Você pode viver a sua vida toda sem precisar se preocupar nem um pouco com o seu “tipo de hímem”. Existem inclusive, mulheres que nascem sem o hímen. É uma situação bem rara, mas pode acontecer sem prejuízo nenhum para o corpo da mulher.

É possível romper o hímen com o dedo? 

É possível romper o hímen até mesmo com algum impacto na água. Essa membrana é tão fina e delicada que pode ser rompida sozinha, durante uma caminhada, na equitação, em um banho na infância, etc. Então, é possível sim romper o hímen com o dedo. Viu só como é injusto colocar no hímen toda a responsabilidade pela virgindade de uma mulher? 

E a virgindade masculina, como fica? 

De forma geral, vivemos em uma sociedade que incentiva mulheres a serem recatadas e controladas com sua sexualidade, ao passo de que homens são incentivados desde cedo a demonstrarem sua virilidade e explorarem seu lado sexual. 

Isso pode ser um problema, já que as expectativas com relação à primeira experiência sexual de homens e mulheres entram naturalmente em conflito. Mulheres têm medo que doa, que sangre, que machuque. Homens têm medo de brochar, de não atender às expectativas, de não serem “homens o suficiente” em sua primeira relação sexual. 

E, como mencionamos antes, o conceito de virgindade voltado para penetração vaginal se complica quando pensamos, por exemplo, em homens que possuem outras orientações sexuais. Como definir, então, se esses homens são ou não virgens? 

Além disso, homens sofrem tanto de insegurança em “perder a virgindade” quanto mulheres, porém são menos reforçados a falar sobre isso. Assim, percebemos que a dificuldade que nossa sociedade tem em lidar com sexualidade acaba, por fim, prejudicando todo mundo, não só as mulheres. 

Como é perder a virgindade?

No final das contas, só você poderá mesmo definir como é perder a virgindade para você: seja nos moldes “tradicionais” de penetração, seja em qualquer outro tipo de ato sexual, seja num contexto puramente emocional e psicológico (exista quem não se considere mais virgem, mesmo nunca tendo nenhuma relação sexual). 

Pensando em termos de primeira relação sexual, é normal que “perder a virgindade” não seja a melhor experiência do mundo. Mas calma, está tudo bem! Isso não significa que perder a virgindade deve doer ou machucar. Normalmente a primeira relação sexual envolve muita ansiedade e expectativa. São dúvidas, questionamentos, desejo, vontade de que tudo seja perfeito, medo de errar e de não saber o que fazer. 

Quando você está relaxada e certa de que está pronta para o momento, tudo vai dar certo. Com consenso e uma boa comunicação entre os envolvidos, a experiência da primeira vez pode ser boa, dentro da limitação de conhecimento de vocês. Mas acredite, prática pode não levar à perfeição nesse caso, mas ajuda bastante!

Perder a virgindade dói? 

A pergunta “perder a virgindade dói?” se relaciona com a crença de que perder a virgindade é romper o hímen e, consequentemente, causa dor. Na verdade, perder a virgindade dói quando seu canal vaginal não está devidamente preparado e lubrificado para receber uma penetração (seja ela dedos, o pênis, brinquedos, etc). 

O hímen é uma membrana possui poucas terminações nervosas Ou seja, a associação da dor à primeira vez não tem nada a ver com o rompimento dela.

Para que essa dor não aconteça, é fundamental estar bem relaxada e excitada, levando as coisas no seu próprio tempo. Assim, a lubrificação e dilatação da vagina vão ocorrer naturalmente, permitindo que o sexo ocorra da forma mais natural e com o mínimo de dor possível.

Como na primeira vez a ansiedade e o nervosismo costumam tomar conta, a excitação fica inibida e, consequentemente, a lubrificação também. Portanto, é fundamental estar segura de si, com tesão e bem estimulada, tanto na primeira transa como em todas as seguintes!

É possível perder a virgindade sozinha? 

Bom, depois de tudo que conversamos aqui, caso você entenda que o conceito de o que é perder a virgindade seja apenas o rompimento do hímen, então a sua resposta é sim. Você pode perder a virgindade sozinha. Muitas vezes, pode nem mesmo perceber. 

Porém, se expandirmos o conceito de virgindade para a experiência de sexualidade, você segue podendo fazer isso sozinha, experimentando com masturbação. Ou então você pode “perder a virgindade” com outras pessoas, rolando ou não penetração. 

Novamente, só você pode realmente estipular o que “conta” e o que “não conta” como perder a virgindade e com quem você deseja fazer isso. 

Perder a virgindade: pontos importantes  

Antes de terminarmos, existem algumas questões muito importantes com relação a toda essa discussão sobre virgindade: 

A própria forma como falamos demonstra que virgindade é algo que perdemos, que se vai, que entregamos ao outro. Não precisa ser desse jeito. Se você é uma mulher heterossexual, por exemplo, homem nenhum está tirando ou tomando nada de você.

Você não precisa ter pressa para perder a virgindade. Experiências sexuais podem ser muito gostosas, mas também devem ser feitas de forma responsável, consensual e respeitosa. Faça tudo no seu tempo e não se compare com ninguém! Seu corpo e sua felicidade são muito mais importantes. 

Autoconhecimento é crucial, independente do que você acredita que seja virgindade. Entender o seu corpo, como ele funciona e quais sinais ele te dá vai além de questões sexuais. 

Sexo é coisa séria e deve ser feito com responsabilidade. Pesquise o melhor método anticoncepcional para você e jamais deixe de se prevenir contra ISTs. Temos um conteúdo todinho sobre como se preparar para a primeira vez, confere lá! 

Consulte um médico ou médica ginecologista! Este profissional vai responder todas as suas dúvidas e te instruir quanto a métodos contraceptivos, proteção contra ISTs, etc. 

E aí, gostou do conteúdo? Conta pra gente nos comentários o que você acha sobre virgindade e não deixe de nos seguir nas redes sociais

Referências:

Virgin: The Untouched History

Revista Femina – FREBASGO

Gostou? Compartilhe!

Gostou? Compartilhe!

Por: Redatora E aí, rolou?


Deixe seu comentário