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Sexo e sexualidade

Prazer feminino e orgasmos: um direito seu

17 de julho de 2020 | Por: Redatora E aí, rolou?

De todos os tabus que buscamos quebrar e papos que queremos naturalizar aqui, prazer feminino talvez seja um dos maiores. Por muito tempo, se acreditou (inclusive dentro da comunidade médica!) que corpos com vagina nem eram capazes de ter orgasmos, o que simplesmente não é verdade. 

Sentir prazer é um direito de todos (segundo a própria Organização das Nações Unidas). O prazer é tão democrático que pode se manifestar de maneiras muito diferentes em cada corpo e ser influenciado por várias questões psicológicas, sociais e até históricas! 

Vamos entender melhor como, onde e porque sentimos prazer? 

Papo sério sobre o prazer feminino

Algumas coisas muito sérias que temos que ter em mente para começar o papo sobre prazer feminino: 

Todo corpo é diferente. Não existem receitas prontas para o que vai te dar mais prazer. Sua relação com o seu próprio prazer deve ser de constante descoberta e autoconhecimento. 

É comum em nossa sociedade que o prazer feminino seja visto com maus olhos ou até mesmo ignorado. Ambos os casos estão enraizados na misoginia e repressão de corpos femininos que vem fazendo parte da nossa história por muito tempo. Não deixe isso te reprimir: o seu prazer é natural, saudável e um direito seu! 

A comunidade científica ainda vê a discussão sobre orgasmos e prazer feminino como bastante complexa. Como o prazer é também ditado por inúmeras questões sociais e psicológicas, para além do físico, é bastante complicado estudar diferentes grupos, com diferentes realidades e formas de se expressar. Apesar de hoje sabermos muito mais sobre nossos orgasmos do que há 100 anos, muita pesquisa ainda pode e deve ser feita na área. 

Quanto mais aprendemos sobre nossos corpos e nossas vontades, mais empoderadas estamos para tomar nossas próprias decisões e viver nossa sexualidade de uma forma saudável. Masturbação, sexo, enfim, prazer sexual não é algo ruim ou errado. É simplesmente natural. 

Orgamos e prazer não são sinôminos. Você pode aproveitar muito um momento de masturbação ou uma relação sexual mesmo se não atingir um orgasmo. Muitas vezes, a pressão por gozar pode acabar arruinando todo o momento. Vai se curtindo, vai experimentando, não precisa ter pressa de nada! 

O que acontece quando temos um orgasmo?

Para todos os corpos, orgasmos se manifestam em reações psicológicas e físicas. Diferentes tipos de estímulos em diferentes áreas do corpo mandam sinais pelas nossas terminações nervosas para o sistema límbico, uma parte do cérebro responsável pelo prazer. Nosso corpo antecipa o prazer que está por vir, o que aumenta nossa sensibilidade.

No caso de corpos com vagina especificamente, há uma retração do clitóris, respondendo às contrações que ocorrem na vagina, no útero e no períneo. Há também uma umidificação maior no canal vaginal. Esse líquido pode ser expelido involuntariamente, o que é popularmente conhecido como squirt.

A cultura pornô muitas vezes coloca o squirt e outras reações do corpo feminino ora como “objetivos finais” de uma transa, ora como algo a se envergonhar. Nenhum dos casos é verdade. Se você produz esse tipo de secreção, está tudo bem. Se não, está tudo bem também. 

Outras possíveis reações físicas de um orgasmo feminino são: taquicardia, respiração acelerada, dilatação das artérias (facilmente notado no rosto, que fica avermelhado), pequenos arrepios e dilatação da pupila. 

A sensação de relaxamento e prazer também vem logo em seguida. Ela ocorre devido a elevação de endorfina e da ocitocina no sangue.

É importante também dizer que cada corpo pode responder de uma maneira um pouco diferente do outro. É comum vermos uma mesma representação do orgamos feminino em filmes e séries (ou até mesmo no pornô, que muitas vezes faz um uso altamente problemático do orgasmo) e acreditar que deve ser daquela maneira. 

O seu orgasmo é seu. Só você está equipada para realmente descobrir como o seu corpo responde a diferentes estímulos, seja acompanhada de alguém ou não. 

Como posso atingir um orgasmo?

Bom, vamos lá de novo: cada corpo é diferente. Não tem como esperar que o que funciona para outra pessoa pode não funcionar para você. A primeira e mais importante dica é: se conheça, experimente se masturbar sem medo e trabalhe em quebrar possíveis travas que você tem com o seu próprio corpo. 

Pode parecer besteira, mas autoestima é muito importante para o seu prazer. É muito importante trabalhar uma relação de afeto pelo seu próprio corpo e se dar a oportunidade de explorar as sensações incríveis que ele pode te oferecer, do jeitinho que ele é! 

De forma geral, orgasmos femininos ocorrem por estimulação das suas zonas erógenas, em velocidades, intensidades e por tempos diferentes. 

Para chegar ao clímax, nosso corpo pode passar por variados processos. Por exemplo, você pode descobrir que gosta muito de um determinado estímulo, mas só se ele vier acompanhado de uma boa dose de preliminar  e contato visual. Novamente, a importância de experimentar e entender os sinais do seu próprio corpo.

Carícias preliminares na região da boca, orelhas e  pescoço, sexo oral (feito e recebido), penetração (com dedos, pênis ou brinquedos), masturbação (sozinha ou acompanhada), são algumas opções mais conhecidas, mas não são as únicas! Tanto no seu próprio momento de masturbação quanto durante relações com outras pessoas, se permita experimentar coisas diferentes. 

  
  

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Usar de diferentes sensações térmicas pode ser interessante, desde que feito com cuidado. Não exponha seu corpo a nada muito gelado ou muito quente! Vá experimentando com calma. 

O prazer feminino muitas vezes está ligado à penetração somente, mas isso é um belo mito. Você pode, sim, atingir um orgasmo com penetração, mas esse está longe de ser o único meio. Nosso corpo responde muito bem a estímulos diversos nos seios, clitóris, ânus, e muitas vezes até mesmo em áreas que não são consideradas erógenas. 

No caso de relações sexuais com outras pessoas, consentimento é tudo, de todas as partes. Não existe prazer em uma situação forçada e sentir qualquer tipo de pressão durante uma relação sexual é um sinal vermelho gigantesco! 

Eu posso ter um orgasmo sozinha?

Sim, você pode ter um orgasmo sozinha! A masturbação deve ser explorada, mesmo que ainda não tenha rolado sua primeira vez

Conhecendo o seu corpo e sabendo identificar os pontos mais prazerosos, você pode tanto orientar melhor a outra pessoa na hora da transa quanto entender melhor onde se tocar durante os seus momentos solo Todo mundo sai ganhando, a gente garante! 

Quando você tem o hábito de se masturbar, consegue compreender melhor as suas zonas erógenas e, consequentemente, a sua sexualidade. A masturbação pode te ajudar a exigir que o seu próprio prazer aconteça durante relações com outras pessoas e a naturalizar a conversa sobre o prazer. 

Além disso, se masturbar pode ser também um momento de se conectar com o seu corpo e talvez até perceber mais rápido se algo está errado, sendo mais fácil de levar isso para o seu ou sua médica ginecologista. 

Como conversar sobre meus orgasmos com a pessoa com quem me relaciono?

Se você está em um relacionamento amoroso com alguém, o diálogo sobre o prazer e sexo é fundamental. A preocupação com o prazer deve ser mútua, não tem nada de errado em demandar que as suas necessidades sejam atendidas também. 

Não deixe que a necessidade de um diálogo bata na porta! Se você está em um relacionamento, converse abertamente sobre isso (quer vocês tenham tido relação ou não). É importante entender que conversar sobre sexo é normal e importante. Sempre respeitando a si mesma e os seus limites, não se restrinja em propor essa conversa com a outra pessoa. 

Agora, não se sentir confortável pra conversar sobre isso como a outra pessoa pode ser um grande sinal vermelho! Se for uma vergonha ou timidez sua, procure trabalhar isso. Aqui no E aí, rolou? estamos sempre compartilhando conteúdo que lutam contra os tabus que nos mantém reféns da nossa própria vergonha, então pode sempre contar com a gente para te dar aquele gás! 

Se você identificar que o problema é a outra pessoa, pare e reflita. Não vale a pena estar com alguém que não valoriza o seu prazer. Isso é indiscutível! Claro que tudo é possível de se conversar e acertar, mas se você sente muita resistência do outro lado, pondere com carinho e pense se não vale a pena se dedicar mais a si mesma neste quesito. 

Se você não está num relacionamento, mas tem vida sexual ativa (ou quer ter) de forma casual, o seu prazer é tão importante quanto! Relações sexuais são uma troca, tem que ser bom pra todo mundo envolvido, mesmo quando não está inserida no contexto de relacionamento amoroso. Abra o jogo com a pessoa, mesmo que só ali no momento. Não tenha medo de dar instruções – faz parte e é melhor pra todo mundo! 

O prazer feminino foi renegado por muito tempo, visto como um pecado, como uma doença ou como algo que não existe. Estamos aqui exatamente para dizer o contrário: prazer feminino é uma delícia, é saudável, é natural e é seu direito! 

E aí, gostou desse conteúdo? Conta pra gente nos comentários e não deixe de nos seguir nas redes sociais:

Referências: 

Baumel, Sérgio Werner. INVESTIGANDO O PAPEL DA MASTURBAÇÃO NA SEXUALIDADE DA MULHER. 2014. 144f. Dissertação (Mestrado em Psicologia)- Universidade Federal do Espírito Santo- Centro de Ciências Humanas e Naturais, Departamento de Psicologia Social e do Desenvolvimento, Vitória, 2014.

Lavie-Ajayi M, Joffe H. Social representations of female orgasm. Journal of Health Psychology. 2009 Jan;14(1):98-107.

Oliveira, Edicleia Lima. História da sexualidade feminina no Brasil: entre tabus, mitos e verdades. Revista Ártemis, Vol. 26, Ed. 1, João Pessoa, 2018.

  
  

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Por: Redatora E aí, rolou?


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Comentários

  • Patrícia

    14 de junho de 2021 | 03:26

    Parabéns! Texto de fácil compreensão e didático. Infelizmente algumas mulheres, são educadas para servir ao marido e que sentir prazer é falta de respeito, mulher direita não pode. Por incrível que pareça em pleno 2021, ainda encontramos mulheres com estes relatos.

    • Redatora E Aí, Rolou?

      8 de julho de 2021 | 11:25

      Obrigado, Patrícia. Estamos juntas. Continue nos acompanhando aqui e no nosso instagram @eairolou

  • Patrícia

    11 de novembro de 2020 | 14:10

    Amei

  • Eunice Silva

    27 de agosto de 2020 | 07:30

    Adorei seu texto

  • Ilza Carolina

    24 de agosto de 2020 | 18:35

    Obrigada pela dica

  • Edhia Pereira

    20 de agosto de 2020 | 05:08

    Muita coisa não sabia

  • Rosimeire

    19 de agosto de 2020 | 11:39

    Gostei muito, tirei varias dúvidas. Eu, que tenho 41 anos e sentir a primeiro orgasmo com penetração de pênis so aos 39 anos, tenho várias duvidas nesses assuntos. Porque meu marido dizia que eu não era nornal.. mais foi so trocar de parceiro, após 20 anos de casada, que minha vida sexual começou. Fazendo eu enteder que sou uma pessoa absolutamente normal..

  • Viviane

    18 de agosto de 2020 | 22:52

    Adorei!!