Relacionamentos e sentimentos

O que é ser feminista?

11 de novembro de 2020 | Por: Redatora E aí, rolou?

Embora a história do feminismo não seja recente, o uso deste termo cresceu muito no Brasil nos últimos anos. Mas afinal, o que é ser feminista? 

Nesse texto nós vamos apresentar uma breve história do uso desse termo, mas também a popularidade do movimento feminista como um todo. Dessa forma, você pode explorar e tirar suas próprias conclusões a respeito de alguns assuntos. Vamos lá?

O que é o feminismo

O termo surge durante a Revolução Francesa, no século IX, por conta do movimento feminista que acontecia na época. Contudo, apenas nos últimos anos a popularidade desse termo cresceu. E para responder a pergunta “o que é ser feminista?”, é importante explicar o que é feminismo.

O feminismo é um movimento político que visa impactar as relações sociais, culturais, econômicas com base na diferença de gênero, ou seja, ser feminista é marcar um posicionamento político contra as desigualdades que surgem nas diferenciações de gênero. 

O que é ser feminista

Desse modo, o que entendemos por gênero modifica o posicionamento político feminista e o que é ser feminista para aquela pessoa. Por exemplo, se você entende que gênero é sinônimo de sexo, luta-se pela igualdade dos sexos (igualdade entre mulheres e homens com base na diferenciação sexual); se você acredita que gênero é uma construção social ou cultural (algo diferente de sexo biológico), luta-se pela igualdade de gêneros; já se você considera que gênero é uma performatividade, luta-se pela liberdade dos corpos expressaram-se no mundo para além da binariedade feminino-masculino.

A pluralidade do feminismo

Ouvimos falar muito sobre as diferentes “vertentes do feminismo”, porém, o movimento vai muito além dessas designações, sendo complexo simplesmente nomeá-las. Mas você deve estar se perguntando o porquê disso. 

Para embasar essa ideia, podemos dizer que, assim como o contexto geográfico, político, cultural, econômico e social, os movimentos feministas podem se expressar diferentemente, até mesmo da corrente a qual se filiam. 

Contudo, como feminismo é um posicionamento político que toma gênero para olhar para as desigualdades sociais, ele pode se ligar com as diversas correntes políticas. Dessa forma, à medida em que os movimentos vão se articulando politicamente, o que é ser feminista para essas mulheres ganha inclinações diferentes. Por exemplo:

  • O feminismo liberal tem um posicionamento sem crítica de classe, econômica, e luta apenas pelo empoderamento econômico e sexual das mulheres; 
  • O feminismo marxista se filia às lutas comunistas ou socialistas; 
  • O feminismo anarquista luta contra as violências institucionais e de Estado.

Além desses citados, há aqueles movimentos feministas que acontecem dentro de outros movimentos políticos conforme as identidades étnicas e culturais, como o feminismo negro, o feminismo indígena e o feminismo islâmico. Além desses, há aqueles movimentos que são identificados conforme a sua localização geográfica: feminismo latino-americano, feminismo africano, feminismo asiático etc. 

Por isso, o modo como denominamos cada movimento vai depender das articulações e críticas que cada grupo organizado vai construindo e acrescentando à percepção deles do que é ser feminista em suas próprias vivências e lutas.

Ondas do feminismo no Brasil

Para entender o que é feminismo e o que é ser feminista no Brasil, vamos explicar sobre as ondas pelas quais o movimento passou. 

A onda é uma imagem utilizada para pensarmos processos históricos que se diferenciam conforme o seu contexto. Em termos de Brasil, podemos dizer que essas ondas estão bastante associadas aos direitos civis, mas isso não se refere às conquistas que impactam a vida das mulheres. 

Podemos pensar que a primeira onda surge no início do século XX com a conquista do sufrágio universal em 1934. Ou seja, o direito de voto para as mulheres.

Mas é a segunda onda, a qual toma a noção de gênero como construção cultural, que ganha bastante força na década de 1980 e marca conquistas extremamente importantes, como a criação das Delegacias especializadas da Mulher, a criação da Lei Maria da Penha e a própria Constituição Brasileira que garante direitos iguais a homens e mulheres. 

Já a terceira onda ganha força no início do século XXI com traduções feitas da teoria queer, a qual questiona a noção de identidade e especificamente a identidade “mulher” como sujeito privilegiado do feminismo, incluindo mulheres trans e homens trans.

Como pudemos ver, a noção de feminismo e o que é ser feminista pode se modificar um pouco, a depender de quais lutas e objetivos que existiam no momento.

Por que o movimento feminista existe? 

Para responder esta pergunta, é importante frisar que os movimentos feministas, os quais lutam pelos direitos civis das mulheres, existem desde o século XIX. Além disso, é necessário contextualizar sua existência:

Os movimentos feministas, assim como a perceção do que é ser feminista emergiram em tempos e espaços diferentes e com objetivos específicos para cada contexto. Inicialmente, os movimentos buscavam alcançar igualdade para os sexos, considerando que as pessoas poderiam ser classificadas de acordo com um critério estético (sexo biológico: fêmea e macho). 

Ao adentrarmos no século XX, conforme as mulheres foram conquistando direitos civis (como acesso ao ensino formal, o direito de votar e der ser votada, ter posses, ter a guarda dos filhos em caso de separação etc), os movimentos feministas e a produção de conhecimento passaram a ampliar e adicionar outros objetivos.

Na segunda metade do século XX, com Simone de Beauvoir, popularizou-se o conceito de que “Não se nasce mulher, torna-se mulher”, ou seja, que corpos do sexo feminino são educados para serem e agirem como um determinado tipo de mulher desde que nascem. 

Por outro lado, os movimentos feministas passaram a entender que as mulheres podem ser de múltiplos jeitos e, inclusive que as mulheres não precisam ter uma vida unicamente voltada para os homens, maridos, filhos e cuidados do lar. A partir daí, surge uma percepção diferente sobre o que é ser feminista e emergue um outro conceito: sexo e gênero são coisas diferentes, sexo é biológico; gênero é cultural. 

Em meados da década de 1980, os movimentos feministas de mulheres negras começaram a apontar que os movimentos feministas até então tinham um estereótipo de mulher branca, rica, cristã e ocidental, ou seja, ignoravam as diferenças entre as mulheres. Isso ocorria com as diferenças raciais, diferenças de classe, sexualidade, nacionalidade, entre outras nuances que marcam as nossas vidas. 

Com essas críticas internas ao feminismo, surgiu o que chamamos de feminismo interseccional, que permitiu pensar as diversas necessidades das mulheres e ampliar o que é feminismo e o que é ser feminista para mulheres ao redor de todo o mundo.

Ao fim do século XX e início do século XXI, com a World Wide Web (WWW) e os Personal Computers (PC), o acesso à informação e a agilidade na comunicação permitiram que esses movimentos pudessem ganhar maior visibilidade. 

Atualmente, alguns movimentos consideram que os homens também podem ser feministas e pensar outros jeitos de ser homem, que não apenas aquele estereótipo do homem universal (branco, rico, cristão, ocidental, heterossexual, machista etc). 

Feminismo e homens: como fica? 

Mas o que é ser feminista, quando se é um homem? Esses movimentos entendem que expressar o gênero não está ligado ao critério estético (anatomia feminina e masculina), mas, sim, à construção da subjetividade de cada pessoa, com a maneira que cada um quer expressar feminilidades ou masculinidades.

Outros movimentos defendem que homens podem ser pró-feministas, ou seja, eles podem e devem fazer parte da causa feminista, entretanto, o papel dos homens dentro do movimento seria mais o de “aprender”. Caberia a eles ouvir os relatos de mulheres, refletir sobre seus próprios comportamentos e em como eles também são essenciais para criarmos uma sociedade mais igualitária.

E com todas essas percepções a respeito do que é ser feminista, chegamos à luta pela igualdade de gênero, não mais como uma luta de igualdade apenas entre homens e mulheres, mas entre todas as pessoas – independente dos gêneros nos quais se expressam, do sexo biológico, de terem ou não passado por uma redesignação sexual ou qualquer detalhe que as pessoas carreguem em seus corpos.

Dessa forma, respondendo sobre por que o feminismo existe, podemos dizer que a luta pela igualdade de gênero nos tempos atuais aponta a necessidade de olharmos para as pessoas conforme as suas individualidades, daí sua importância.

A influência das redes sociais

Nas redes sociais existe muita discussão sobre o que é feminismo e o que é ser feminista. E como aponta o estudo “Feminismo contemporâneo: as mídias sociais como ferramentas de resistência”, a internet cada vez mais tem feito parte do cotidiano das pessoas, tendo as redes sociais a maior quantidade de acesso. Dessa forma, sendo um mecanismo de informação instantânea, esses espaços virtuais podem se tornar lugares propícios para organizar e discutir pautas de luta a partir de interesses e inquietações em comum.

Com essa possibilidade, as redes sociais e a internet como um todo ajudaram o movimento feminista a ganhar visibilidade nos últimos anos. Ao abordar as angústias de diferentes mulheres, o espaço cibernético vem conseguindo ampliar todos os significados que o termo “feminista” pode ter e também discutir o que é feminismo e o que é ser feminista nos dias de hoje. 

Contudo, é importante ressaltar que nem tudo o que vemos ou lemos merece credibilidade, cabendo a cada uma de nós pesquisar, desenvolver pensamento crítico e tirar as próprias conclusões.

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Referências: 

Inauã Weirich, graduada em história e mestre e doutoranda em ensino pela Universidade do Vale do Taquari (Univates). Sua linha de pesquisa é sobre gênero e feminismo.

Sarti, Cynthia Andersen. (2004). O feminismo brasileiro desde os anos 1970: revisitando uma trajetória. Revista Estudos Feministas , 12 (2), 35-50

Simone de Beauvoir e o movimento feminista: contribuições à Educação

Livro Feminismo em Movimento, por Lia Zanotta Machado

Livro Breve História do feminismo, por Carla Cristina Garcia

Feminismo contemporâneo: as mídias sociais como ferramentas de resistência

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Por: Redatora E aí, rolou?


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